Waldir 59 – Biografia

 

Waldir 59 (Waldir de Souza - 3/3/1927 - Rio de Janeiro, RJ) é o número 1 da Velha Guarda da Portela, o mais antigo compositor, protagonista e detentor, da história do samba do Rio de Janeiro. Waldir é conhecido como verdadeira “lenda viva do samba”, pois não só foi o parceiro inseparável de Candeia, o responsável por Clara Nunes e Paulinho da Viola terem integrado a comunidade azul e branca da Portela, como participou do filme Orfeu do Carnaval (sendo responsável por toda parte musical do samba), e até hoje em seus 80 anos, mantém (criando, organizando e inspirando) a verdadeira tradição do samba. Foi Diretor de Harmonia de várias Escolas a partir de 1973, chegando a ser premiado em 1990 com o "Troféu O Dia" por sua atuação como Diretor de Harmonia.

Waldir 59
Waldir 59

 

Sambas:

Ouça 9 sambas de autoria de Waldir 59 na "playlist" abaixo, ou cada samba individualmente no final do post, com suas respectivas letras.

  1. Lamento de uma raça (de Candeia e Waldir 59; por Waldir 59)
  2. Vem amenizar (de Candeia e Waldir 59; por Luiz Carlos da Vila)
  3. Porque não vens? (de Candeia e Waldir 59; por Waldir 59)
  4. Riquezas do Brasil (de Candeia e Waldir 59; por Zeca Pagodinho e Velha Guarda da Portela) - Samba-de-enredo Portela 1956
  5. Legados de D. João VI (de Candeia e Waldir 59; por Martinho da Vila) - Samba-de-enredo Portela 1957
  6. Brasil, panteão de glórias (de Bubú da Portela, Candeia, Casquinha, Picolino da Portela e Waldir 59; por Bubú da Portela) - Samba-de-enredo Portela 1958
  7. Magna beleza (de Candeia e Waldir 59; por Monarco)
  8. Lapa (de Ary Guarda e Waldir 59; por Nadinho da Ilha)
  9. Não é bem assim (de Candeia e Waldir 59; por Waldir 59)

Waldir 59
Waldir 59

Mantendo a história e o espírito dessa expressão da cultura popular que ele mesmo ajudou a criar ao longo de sua vida, Waldir 59 é jurado na escolha dos sambas enredos da atualidade, é fomentador de rodas de novos compositores, é em seu ser a memória viva e a inspiração para que as novas gerações não deixem de cultivar o verdadeiro valor da música popular brasileira, frutificando-o em suas comunidades.

“Porém, ai porém....” como diria Paulinho da Viola na música “O Rio que passou em minha vida” esse grande mestre de nossa tão amada cultura popular - o samba - não é reconhecido e valorizado como merecia em âmbito Nacional e enfrenta sérias dificuldades para continuar realizando seu trabalho e sua vida , pois esta quase completamente cego e não possui condições financeiras para realizar o tratamento médico que necessita. Mas Waldir 59 é um “caso diferente”, de humanidade, pois não se deixa abater pela doença e continua a caminhar sozinho pelas ruas do Rio com muito esforço (gratificante ele garante) porque o permite freqüentar todas as rodas de samba. Diz Waldir 59: "-Eu me oriento pelo que está gravado na memória. O caminho de casa até a Portela."

Biografia

Ninguém melhor do que o próprio Waldir para escrever a sua Biografia. Texto trasncrito da imagem a seguir:

Waldir 59
Waldir 59

Eu, WALDIR DE SOUZA, conhecido no mundo do samba como "Waldir 59", inciei em 1935, com apenas 7 anos de idade, como desfilante no coro, pois ainda não existia alas nas Escolas de Samba, nas agremiações "As Baianinhas de Oswaldo Cruz" , depois "Vai Como Pode" e posteriormente GRES PORTELA, tendo como professor o imortal Mestre e Fundador PAULO DA PORTELA.

Na PORTELA fui o primeiro passista junto com Tijolo e Roxinha; Fundador da Ala dos Impossíveis (a primeira ala coreografada do carnaval carioca), Mestre-Sala e Compositor vencedor de inúmeros sambas-enredo. Fiz parte de várias gestões de diretoria como Conselho Fiscal, Diretor Administrativo e Diretor de Harmonia durante mais de 20 anos, assessorado por vários mestres em harmonia.

Em outras agremiações , tais como Imperatriz, Vila Isabel, Unidos da Tijuca, Cabuçu, Mocidade Independente, Caprichosos de Pilares, Jacarezinho, Em cima da Hora, União da Ilha, atuei como Primeiro Diretor de Harmonia, assim como em diversos blocos carnavalescos.

Em 1985, participei do Seminário sobre Critérios de Julgamento dos Desfiles de Escola de Samba, também atuei como Coordenador de Pista em desfiles oficiais, pela RIOTUR.

No ano de 2000, fui eleito Presidente do GRANES QUILOMBO.

Waldir 59
Waldir 59

Antes de encerrar minha atividade como desfilante, e tendo ainda muito a dar em prol do samba, pelo acima explanado, gostaria de participar ativamente no quadro desta entidade formada pela alta cúpula do samba.

Rio de Janeiro, 03 de Janeiro de 2002

WALDIR DE SOUZA

Waldir 59 venceu 5 sambas na Portela:

  • 1955 - Festas juninas em fevereiro (com Candeia)
  • 1956 - Riquezas do Brasil (com Candeia)
  • 1957 - Legados de D. João VI (com Candeia)
  • 1959 - Brasil, panteão de glórias (com Bubú da Portela, Candeia, Casquinha e Picolino da Portela)
  • 1965 - História e tradição do Rio quatrocentão (com Candeia)

Dados Artísticos

No ano de 1955 a Portela desfilou com samba-enredo de sua autoria em parceria com Candeia "Festas juninas em fevereiro", com o qual a escola classificou-se em 3º lugar no Grupo 1. Em 1956 a Portela foi a Vice-campeã do Grupo 1 desfilando com o samba-enredo "Riquezas do Brasil", de Candeia e Waldir 59. Esse samba-de-enredo logo após o desfile transformou-se em um clássico do gênero e ficou muito conhecido. No ano seguinte, em 1957, compôs com Candeia o samba-enredo "Legados de D. João VI" , com o qual a Portela foi campeã. Neste mesmo ano foi lançado o disco "A Vitoriosa Escola de Samba da Portela", no qual foram incluídos os sambas "Legados de D. João VI", "Despertar de um gigante" e "Riquezas do Brasil" tendo como intérprete As Pastoras da Portela.

No ano de 1959, compôs com Casquinha, Bubu, Candeia e Picolino, o samba-enredo "Brasil, panteão de glórias", com o qual a escola voltou a ser campeã. Em 1965, no aniversário dos 400 anos da cidade do Rio de Janeiro, compôs com Candeia "Histórias e tradições do Rio Quatrocentão", com o qual a Portela se classificou em terceiro lugar no desfile daquele ano.

Em 1971 no LP "Quem samba fica... Adelzon Alves mete bronca e a rapaziada do samba dá o recado", da gravadora Odeon, produzido por Adelzon Alves, o cantor Nadinho da Ilha interpretou de sua autoria "Lapa", em parceria com Ary Guarda.

Waldir 59
Carteiras de Waldir 59 na Portela

No ano de 1974 no LP "História das Escolas de Samba - Portela", lançado pela gravadora Discos Marcus Pereira, foi incluído o samba-enredo "Brasil, panteão de glórias", sendo a faixa interpretada por Altair e Bubu da Portela.

Em 1977 o parceiro Candeia, no LP "Luz da inspiração" (gravadora WEA) interpretou de ambos "Riquezas do Brasil". No ano seguinte, em 1978, Candeia no disco "Axé! Gente amiga do samba" incluiu "Vem amenizar", outra parceria de ambos, desta vez com participações especiais de Dona Ivone Lara e Chico Santana.

Em 1980 Martinho da Vila no LP "Samba Enredo" (Gravadora RCA) interpretou "Legados de D. João VI. No ano de 2002 Zeca Pagodinho, no disco "Deixa a vida me levar" (Universal Music) regravou "Riqueza do Brasil", faixa na qual contou com a participação especial da Velha Guarda da Portela.


Waldir 59 no "Samba da Ouvidor - Rio de Janeiro" cantando "Não é bem assim" dele e Candeia.

Em 2010 Cristina Buarque e Grupo Terreiro Grande no CD "Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia" regravaram "Brasil, panteão de glórias" e "Riquezas do Brasil".

Juntamente com o livro: "Candeia - Luz da Inspiração" de João Baptista M. Vargens foi lançado um CD com algumas músicas da parceria Candeia / Waldir 59. Vale a conferida neste link.

Waldir 59
Waldir 59

Referências:

http://www.dicionariompb.com.br/waldir-59/biografia
http://waldir59portela.blogspot.com/
http://mundo-a-revelia.blogspot.com/2009/09/waldir-59-numero-1-da-velha-guarda-da.html

 

  1. Lamento de uma raça

    (de Candeia e Waldir 59; por Waldir 59)

    Samba é lamento de uma raça
    De cabrochas que com graça
    Gingando com galhardia
    Quem não se sente feliz
    Ao ouvir a melodia do meu país
    Sou vítima fenomenal
    Seu canto é cheio de riqueza
    Samba é uma obra de "Renô"
    Jóia de rara beleza
    No cenário musical

    Oh Senhor...
    Daí-me inspiração
    Para compor
    Sambas em propulsão
    Tentam evitar, combaterei ao mal
    Apelo aos sambistas em geral
    Para lutarem com fervor
    Em defesa do samba nacional

    Viva o samba, ô ô...
    Viva o samba, ô ô...
    Raíz do meu país

  2. Vem amenizar

    (de Candeia e Waldir 59; por Luiz Carlos da Vila)

    Vem amenizar a minha dor, amor
    Tu és entre elas a mais bela flor
    Vem porque só eu te quero bem
    És a vida da minha vida, querida

    Vem dar lenitivo ao meu pobre coração
    Que tanto sofre a esperar por teu amor
    Vem suavizar esta paixão
    E exterminar toda esta dor
    Ora, vem por favor

  3. Porque não vens?

    (de Candeia e Waldir 59; por Waldir 59)

    Por que não vens?
    Se eu ainda lhe venero
    Dias e noite espero
    Eu sei que outro amor não tens
    Por que não vens?
    Se sofres tanto quanto eu
    Tu sabes bem
    Que é só meu, todos os carinhos seus

    Por que não vens?
    Ao sofrimento dar o fim
    Meu amor, meu grande amor
    Na vida és tudo para mim
    Te buscar, não irei
    Mesmo sendo assim o certo
    Mas com os braços aberto
    Eu te receberei (Por que não vens?)

  4. Riquezas do Brasil

    (de Candeia e Waldir 59; por Zeca Pagodinho e Velha Guarda da Portela) - Samba-de-enredo Portela 1956

    Brasil tu eras uma dádiva divina
    Cacau, cana-de-açúcar e algodão
    Borracha, mate e café
    Produtos desta imensa nação
    Tens os campos tão férteis em matérias-primas
    E as tuas riquezas invejam o mundo
    Jazidas tais e tamanhas
    Em teu solo tão fecundo
    Há em tuas entranhas ouro e manganês
    E outros minerais
    És forte, belo e varonil
    Brasil, Brasil, Brasil
    Tuas gloriosas Forças Armadas
    Com desvelo zelam pelo teu tesouro
    Em tua história consagrada
    Escreveram páginas de ouro
    Guias defensores de amanhã
    Futuros doutorandos do Brasil
    Estejam sempre alertas
    Tragam na lembrança o conselho do poeta
    Criança não haverá país nenhum como este
    Imita na grandeza
    A terra em que nasceste (Oh! meu Brasil...)

  5. Legados de D. João VI

    (de Candeia e Waldir 59; por Martinho da Vila) - Samba-de-enredo Portela 1957)

    Quando veio para a nação
    Que mais tarde o consagraria
    D. João VI, o nobre magistrado
    Ao passar pelo estado da Bahia
    Instituiu novo texto
    Abrindo os portos do Brasil
    Para o mercado universal
    Logo após seguiu o seu roteiro
    Com destino ao Rio de Janeiro
    Quando aqui chegou,
    Desembarcou com toda família real
    Incomensurável séquito
    Vulto de notável mérito
    O eminente príncipe-regente

    Um ano depois sua alteza
    D. João ordenou
    A invasão da Guiana Francesa
    E depois criou com sabedoria
    Academia de Marinha, Museu Nacional
    Escola de Belas Artes
    Também o primeiro jornal
    Mais tarde o povo aclamou
    Esta figura de grande marca

    Unidos em coros mil
    Viva o grande monarca
    Regente dos destinos do Brasil

  6. Brasil, panteão de glórias

    (de Bubú da Portela, Candeia, Casquinha, Picolino da Portela e Waldir 59; por Bubú da Portela) - Samba-de-enredo Portela 1958)

    Brasil, panteão de glórias
    Salve heróis da nossa história
    Há muitos anos atrás
    Felipe Camarão e outros vultos mais
    Expulsaram os invasores do território nacional
    Salve Caxias imortal guerreiro
    Patrono do brioso Exército Brasileiro
    Santos Dumont pioneiro da aviação
    Ruy Barbosa imortalizou a nação com sua rara inteligência
    Naquela nobre conferência
    Salve a FEB imponente viril
    Nós saudamos a glória do Brasil!
    Lá ia lá ia lá ia...

  7. Magna beleza

    (de Candeia e Waldir 59; por Monarco)

    Eu quero com ternura
    Uma criatura que me enlouqueceu (que me enlouqueceu)
    Essa magna beleza, representa a natureza
    Com seu esplendor (com seu esplendor)
    Sou um cego que procura
    Na minha loucura novamente a luz (novamente a luz)
    Necessito do teu beijo pra matar o meu desejo
    Que tanto me seduz (que tanto me seduz)

    A realidade a meus olhos se lança
    E o meu coração não perde a esperança
    De um dia conquistar o seu amor
    E mantê-lo com fervor

  8. Lapa

    (de Ary Guarda e Waldir 59; por Nadinho da Ilha)

    Poeira, oi poeira
    Poeira eu caí, sacudí, poeira

    Desde a era do Brasil colonial
    Que a Lapa vive em beleza sem igual
    Com arte, graça e talento
    A Portela revela
    A sua história em trẽs tempos
    O bairro dos poetas que tem tradição
    Por muitas vezes musa da inspiração
    E quando a cidade dormia
    Na Lapa tudo era alegria

    Dia e noite, noite e dia
    Dia e noite, noite e dia

    O "chapéu de chile", a gravata ofuscante
    O "salto carapeta", a camisa de seda, o botão de brilhante

    Lapa, Lapa, Lapa
    Dos arcos, chafariz coloniais
    Do Passeio Público
    Do bondinho e do lampião á gás
    Automóvel Clube
    Requinte da sociedade
    Lindas mulheres
    Ostentando luxo e vaidade

    Cabarés iluminados
    Musicados e revistos
    Os hotéis movimentados
    Porém todos bem vestidos

    Das belas noites de festas
    Cordões, violões e serestas
    Do pano verde do valente Capoeira
    Do samba que levantava poeira

  9. Não é bem assim

    (de Candeia e Waldir 59; por Waldir 59)

    Não, não é bem assim
    É bem diferente
    O que anda falando essa gente de mim

    Pouco me importa
    A calúnia a meu respeito
    Muito me conforta em saber que é só despeito
    Eu cantarei pois a vida é mesmo assim
    Podem falar bem ou mal, mas falem de mim



Você gosta de samba? Então torne-se fã do site no Facebook!



Gostou? Divulgue no Facebook...
 





Um comentário para o post “Waldir 59 – Biografia”

 

 

  1. Gilda disse:

    Adorei, principalmente com o Luiz Carlos da Vila
    cantando.

 

 

Deixe um comentário


Get Adobe Flash player