05/04/2013 - 1:20 pm

Moacyr Luz “Batucando” (2009)

Gravadora: Biscoito Fino BF 867 - Ano: 2009 - Produtor: Paulão Sete Cordas

Álbum completo - 12 faixas - 42 min

Álbum: Moacyr Luz “Batucando” (2009)

  1. VIDA DA MINHA VIDA
    part.: Zeca Pagodinho
    (Sereno / Moacyr Luz)

    vida da minha vida, lua que encandeou
    uma canção bonita, feita pro meu amor
    vida da minha vida, olha o que me restou
    flores na despedida, versos de um amador
    vida da minha vida, um vento me derrubou
    a alma desprotegida, no peito de um sonhador
    vida da minha vida, peço ao meu protetor
    se for pra ser vivida, diga pra onde eu vou

    vida da minha vida, se eu fosse sabedor
    deixava mais aquecida, a chama que me queimou
    vida da minha vida, algo me enfeitiçou
    já nem sei mais a medida, é tão avassalador
    vida da minha vida, um vento me derrubou
    a alma desprotegida, no peito de um sonhador
    vida da minha vida, peço ao meu protetor
    se for pra ser vivida, diga pra onde eu vou

  2. QUANDO SE É POPULAR
    part.: Wilson das Neves
    (Wilson das Neves / Moacyr Luz)

    sei que falaram de mim
    como falam de mim
    é um tal de me diz, “quê qui há”!
    eu não sou vaso ruim
    mas o meu tamborim é dificl quebrar,
    descambar, não
    evito uma confusão
    que dar opinão, qualquer um pode dar
    quando se é popular
    tem que ter um andar
    e saber se vestir, e aí…
    vim de chapeu panamá
    do Império de lá
    me encantar por aqui….

    na Mem de Sá, fui de canja
    boa convesa se arranja
    alguém falou no ouvido
    um samba meu
    me deparei comovido
    semente que floresceu
    por isso falam de mim
    graças a deus

  3. DIVINA MANGUEIRA
    part.: Beth Carvalho
    (Moacyr Luz / Paulo César Pinheiro)

    divina
    Mangueira
    desfralda teu pavilhão
    sagrada bandeira
    dentro do meu coração
    defendo o teu samba
    pela vida inteira
    em respeito à tradição
    é sempre o teu samba
    Estação Primeira
    que me leva pela mão

    teu samba que é prosa
    levanta a poeira
    arrastando o pé no chão
    e o teu verde-e-rosa
    balança a roseira
    consagrando o teu brasão
    por isso é que o samba
    quando a Mangueira é que vence
    sacode a alma dessa nação
    é porque todo mundo
    guarda a nação mangueirense
    com amor lá dentro do coração

  4. SAMBA DOS PASSARINHOS
    part.: Martinho da Vila
    (Moacyr Luz / Martinho da Vila)

    um passarinho me disse
    que vamos viver pra sempre um grande amor
    canário livre cantou, cantou, cantou, cantou feliz
    um bem-te-vi que ouviu
    “bentevitou” com o seu amigo tiziu
    um pintassilgo se alçou e foi piar bem juntinho da perdiz
    logo que entardeceu, galinha cocorocou
    canto de galo ecoou, de longe um outro respondeu

    um corpo ardente riscou o céu e o pedido que fiz
    foi para ser sempre seu, só seu, só seu, só seu, só seu
    vamos sonhar bem juntinhos, levando a vida a cantar
    e como dois passarinhos, voar, voar, voar, voar

  5. CLAREOU
    part.: Ivan Lins
    (Aldir Blanc / Ivan Lins / Vitor Martins)

    meu amor não chora, não
    não chora meu amor
    a chuva não demora, amor
    já desanuviou
    meu amor não chora, não
    o mau tempo já passou
    o sol de toda hora, amor
    agora clareou no mar

    clareou no mar
    clareou no mar
    clareou

    diz um jeito bom de te acalmar
    brisa leve, um pouco mais de ar
    meu amor, a chuva vai parar
    clareou no mar
    se clareou no mar
    ela vai passar
    clareou

  6. MEU NÊGO
    voz: Alcione
    (Moacyr Luz / Hermínio Bello de Carvalho)

    meu nêgo quando me beija
    me enche a boca de estrelas
    enquanto se põe a comê-las
    é um lusco-fusco em céu de azul de metileno
    meu nêgo quando me abraça
    é meio prazer e doença
    que tanto que me suga a boca
    que tanto que me vira ao avesso
    me deixa moendo os ossos
    ao me lamber a carcaça
    me seguro pra não ter um troço
    nem me emborcar na cachaça

    e me diz, em tom de lisonja
    quanto me inspira e dá sorte
    se aposto um trocado nele
    e, pimba! o sonho dá na cabeça
    e sai serelepe, o esponja
    nos braços de uma vadia
    esbanjando noutra esquina
    a merreca que eu ganhei
    tomara que broche com a mina
    rapina que agora o entretém

  7. DAQUELA MULHER
    (Moacyr Luz / Hermínio Bello de Carvalho)

    essa mulher me atordoa
    dessa mulher sinto pena
    pecou mais que Madalena
    nunca obteve perdão
    lambeu as bordas do prato
    com a mesma fome de um cão
    e enrroscousse em si mesma
    sem dar-se conta de si
    e deu um nó em si mesma
    “emsimesmandosse” assim

    foi aos pouco definhando
    sem receber um afeto
    e sumiu por aí, sumiu por aí
    que estória mais triste essa
    que me arrepia os cabelos
    que me lembra os desmazelos
    que essa mulher padeceu
    seu nome pra que lembrar
    se ela em vida coitada
    dele mesmo se esqueceu

  8. SAMBA PRO GERALDO
    part.: Tantinho da Mangueira
    (Moacyr Luz / Aldir Blanc)

    Geraldo Pereira, meu nêgo
    na aparência tudo “oquei”
    minha vida se acabou num samba
    num samba de roda que eu rodopiei
    - fiquei de pé, me segurei!

    meu nêgo, Geraldo Pereira
    foi daí que eu inventei
    um samba na segunda-feira
    no bom sincopado onde você é rei

    já pulei feito saci
    fica aqui no Andaraí

    agora Geraldo, meu facha
    se a rasteira aconteceu
    relaxa nessa homenagem
    à um escuro direitinho que jamais morreu!

  9. A NATUREZA CHORA
    (Sereno / Moacyr Luz)

    num samba-enredo
    se eu falasse de natureza
    cantaria de tristeza um amor
    sem flor
    as folhas secas de uma vida
    estão queimando na despedida
    um botão de flor

    (eu tenho medo)
    e o samba chora
    claridade que me apavora
    é a madeira que foi embora
    dessas mãos
    sem chão
    sementes caem feito presas
    por isso um samba de natureza
    dói no coração

    um bem-te-vi sozinho
    não vê caminho e a saudade mata
    um azulão sem ninho
    asa no espinho de outra mata
    e assim na minha alma de aprendiz
    se a natureza não é feliz
    eu não sou…
    um rio
    que de repente, passou, perdi
    hoje é a lagrima que por ti
    jamais secou

  10. BANGUELAS
    part.: Luiz Melodia
    (Moacyr Luz / Hermínio Bello de Carvalho)

    o menino banguela é um fiapo de gente
    e a menina ao seu lado é também indigente
    lá se vão de mãos dadas à vista do mundo indiferente
    nem parecem ter fome e nem sede e é patente
    que o sarnento lhes deu porção indecente
    que os imantou de uma luz incandescente

    e os corpinhos se unem à noite luzente
    e esperam do céu que uma estrela cadente
    os cubra dum manto de nuvem fulgente
    e cure essa febre que arde fremente
    e vem assomando, assim num repente
    cobrindo seus corpos de uma luz refulgente

    são rios cruzando formando afluentes
    são trilhos dispostos sobre dormentes
    que rangem à passagem dos trens que urgentes
    os levam, coitados, como pingentes
    rangendo de frio os dentes doentes
    iguais às carcaças de estrelas cadentes

    o menino banguela parece um fiapo de gente
    e a menina está prenha de mais um indigente

  11. BELEZA EM DIAMANTE
    part.: Mart’nália
    (Sereno / Moacyr Luz)

    meu Rio de Janeiro
    se fosse preciso dobrar a teus pés
    cantar tão bonito e dizer que tu és
    estrela mais brilhante
    mesmo num céu de outras cores
    traçantes balas e dores
    és a beleza em diamante
    assim, passar as mãos nas tuas costas
    carinho de mar nas encostas
    amor de mandingueiro
    o sol desponta além do infinito
    trazendo alento aos mais aflitos
    meu Rio de Janeiro

    é tudo paixão, delírio
    palácios e barracão
    nas noites de muito frio
    pedir mais proteção
    o meu samba é pra quem quiser
    usar da mesma inspiração
    cidade mulher, um bem-me-quer
    no coração.
    (meu samba é)

  12. DELÍRIO DA BAIXA GASTRONOMIA
    (Moacyr Luz)

    azeite no jiló
    pimenta fresca no bobó
    a abrideira no balcão de mármore
    dentro do pirão, uma corvina, um azulão
    e a feijoada desenhando o sábado
    cosido à brasileira, no domingo e quarta-feira
    e também tem um camarão na abóbora
    depois se apaixonar pela batida do lugar:
    - a melhor!
    garçom de borboleta
    escrito a giz na tabuleta:
    - mocotó!

    frango com quiabo um cabrito temperado
    é de se ajoelhar
    no caldo do ensopado um lagarto fatiado
    é de fazer chorar
    Belmontes corações,
    no Pirajá das ilusões
    Lamas e Luiz
    Adônis dos fiéis
    Engibaiado de pastéis
    sou feliz!

    deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
    peito com coradas caprichadas malaguetas
    vem servir
    deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
    virado a paulista, uma isca a Lisboeta
    vem servir
    deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
    bife mal passado com dois ovos na manteiga
    vem servir
    deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
    dúzias de sardinhas, caranguejo, caranguejas
    vem servir
    deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
    pra finalizar, aceito a dica do Jaguar
    vou dormir