Manacéa – Biografia
“Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado / Só em saber que não posso mais / Reviver o meu passado..."
Quando esses versos estouraram em meados da década de 70, em todas as rádios, na voz da jovem cantora Cristina Buarque de Hollanda, o Brasil, enfim, pôde conhecer o grande compositor Manacéa (Manacé José de Andrade), nascido em 26 de agosto de 1921 em Pedra de Guaratiba e mudou-se para Osvaldo Cruz aos 5 anos.

Manacéa
Conta quem o conheceu que ele era muito tímido, humilde, sensível, porém muito disciplinador. Foi para a Portela pelas mãos de “Seu” Nicanor, então tesoureiro da escola e marido de uma tia, sempre na companhia do primo Ernani.
Manacéa formava, juntamente com seus irmãos e também compositores Aniceto e Mijinha, um trio muito respeitado na escola. E esse trio acabou por dar origem a uma nobre linhagem de portelenses que dá frutos até hoje.
Casou-se com Dona Neném e teve três filhas, entre as quais a compositora e pastora Áurea Maria. Trabalhou em uma fábrica de gelo em Osvaldo Cruz, onde conheceu sua esposa, foi serralheiro em uma empresa de construção e líder do conjunto da Velha Guarda da Portela.
Ouça alguns dos principais sambas de autoria de Manacéa na "playlist" abaixo, ou cada samba individualmente no final do post, com suas respectivas letras.
- Volta, meu amor (Aurêa Maria e Manacéa; por Marisa Monte e Velha Guarda da Portela)
- Carro de boi (Manacéa; por Beth Carvalho)
- Nascer e florescer (Manacéa; por Velha Guarda da Portela)
- Amor proibido (Manacéa; por Juliana Diniz)
- Manhã brasileira (Manacéa; por Manacéa)
- A natureza (Manacéa; por Luiz Carlos da Vila e Martinho da Vila)
- Quando quiseres (Manacéa; por Tia Surica)
- Minha querida (Manacéa; por Manacéa)
- Sempre teu amor (Manacéa; por Cristina Buarque)
- Quantas lágrimas (Manacéa; por Teresa Cristina)
Com o objetivo de se dedicar à família e não querendo mais ter a obrigação de compor sambas-enredo, afastou-se das disputas em 1953, passando a responsabilidade para os jovens compositores Candeia e Altair Prego. Porém, continuou vivenciando o dia-a-dia da escola. Participou do primeiro disco da Velha Guarda, produzido por Paulinho da Viola, em 1970, tornando-se líder do grupo com a morte de Ventura.
Aconteceram em seu famoso quintal, na Rua Dutra e Melo, em Osvaldo Cruz, os primeiros ensaios da Velha Guarda da Portela, que transcorriam conforme o planejado, apenas com os membros do grupo e alguns mais íntimos e vizinhos, para somente depois - com o tempero de Dona Neném e de Aniceto, exímios mestres da cozinha - todos caírem nas animadas rodas de samba e de partido-alto. Era uma sucessão de pratos que ficaram famosos: galinha com quiabo, corvina de linha (frita ou cozida), churrasco e tripa lombeira.

Manacéa - Crédito da Foto: Iolanda Huzak.
Manacéa foi vencedor na disputa de samba-de-enredo na Portela nos anos:
- 1948 - Enredo: Princesa Isabel
- 1949 - Enredo: Despertar do gigante
- 1950 - Enredo: Riquezas do Brasil
- 1952 - Enredo: Brasil de ontem
Paulinho da Viola e Manacéa (Velha Guarda da Portela) no samba: Quantas lágrimas
Além do belo samba “Quantas lágrimas” e dos sambas-enredo já citados, Manacéa compôs "Manhã brasileira", gravado por Zezé Motta e Marquinhos de Osvaldo Cruz, e "Carro de boi", gravado por Beth Carvalho, assim como "Nascer e florescer", "Sempre teu amor" e "Volta, meu amor" (em parceria com Áurea Maria), incluídos no CD Tudo Azul.
"- Já naqueles longínquos anos 40, o talento de Manacéa começava a emocionar as favelas e morros cariocas" - lembra Claudionor Santana, o Nonô do Jacarezinho, vencedor 21 vezes consecutivas na sua escola - quando Paulo da Portela, sozinho ou em comitiva, visitava as escolas menores, comandando os ensaios e entoando sambas da Portela:
“Paulo andava de escola em escola e eu também gostava de andar assim por elas. Então, eu via muito a atuação do Paulo da Portela. Nós tínhamos uma senhora que foi uma das fundadoras do Jacarezinho, grande batalhadora, dona Andreza Nogueira, que deixou muita saudade na escola. Então, por intermédio dela, o Paulo da Portela ia sempre lá no Jacarezinho e quando ele chegava comandava o ensaio. De lá íamos para o Recreio de Inhaúma, para o Cenáculo do Samba, que tinha no Cachambi, para os Acadêmicos do Engenho da Rainha, e ele chegava, sozinho ou com aquela comitiva e puxava o samba, entendeu? Quer dizer que ali, no meio da comitiva, os sambas eram deles e daqueles rapazes. Tinha o falecido Caquera, que sempre o acompanhava, Mijinha, então eu posso dizer que foi assim que eu conheci as músicas de Paulo e de outros compositores da Portela. Um samba que ele divulgava muito, que marcou muito o pessoal do Jacarezinho, era o Quando a natureza se aborrece, de Manacéa.”

Manacéa - Crédito da Foto: Iolanda Huzak.
Em sua homenagem foi criada a Praça Manacéa, à direita de quem entra no Portelão, ao lado do casarão onde funcionou a cozinha da Tia Vicentina. Antes, havia mesas com guarda-sóis, cadeiras e bancos, circundados por jardineiras. Hoje, resta apenas a placa com seu nome.
Homenagem prestada a Manacéa no quintal da Dona Neném, sua viúva em Madureira, pelo grupo paulista Glória ao Samba 18/09/2010
Homenagem - Parte 2
-
Volta, meu amor
(Aurêa Maria e Manacéa; por: Marisa Monte e Velha Guarda da Portela)
Foi embora meu grande amor
Fiquei tão sozinho, sem um carinho
Neste mundo senhor
Não deixe criador, eu sofrer assim
Faça voltar este amor pra mimVolta, volta, meu amor
Quero sentir novamente seu calorVem para os meu braços não me diga mais adeus
Eu só quero ouvir amor dos lábios teus
O teu perfume, quero sentir
Entre os meus braços, o teu calor
Tão forte quanto o meu amor -
Carro de boi
(Manacéa; por: Beth Carvalho)
Meu carro de boi atolou, no lamaçal
Meu carro de boi ficou, no lamaçalVai buscar meu boi, vai buscar meu boi, menino
Vai buscar meu boi pintado, lá no curralMeu carro de boi não pode ficar, no lamaçal
Meu boi pintado vai tirar, do lamaçal -
Nascer e florescer
(Manacéa; por: Velha Guarda da Portela)
Não tenho ambição neste mundo, não
Mas sou rico, da graça de Deus
Tenho em minha vida um amor de valor
É meu tesouro encantador
Sei que reclamas em vão
Porque não tens a compreensão
Que o mundo é bom
Para quem sabe viver
E se conforma com que Deus lhe dá
A nossa vida é nascer e florescer
Para mais tarde morrer -
Amor proibido
(Manacéa; por: Juliana Diniz)
Eu imploro noite e dia ao meu criador
Que faça me esquecer daquele grande amor
Que me apareceu um dia, quando eu não podia
Aceitar o seu amor
Porque, ele tem seu compromisso, e eu também
Amor proibido não convém (Ah! Eu imploro ...)Atormenta a minha alma,
Quando penso naquele amor, (Oh! oh!)
Acabou-se o meu desejo,
Nunca houve um ensejo
De dar-te um beijo com fervor -
Manhã brasileira
(Manacéa; por: Manacéa)
Quando amanhece
O céu resplandece
Os raios do sol a brilhar
Os passarinhos começam a cantar
Anunciando a manhã brasileira
Gorjeando sobre a mais alta palmeira
Todos cantam com alegria
Como é tão lindo ver romper do diaDe manhã, quando desperto
Aprecio a alvorada
Como é linda a madrugada
Deus fez de mim um poeta
Escrevi em linhas retas
Essas rimas todas certas -
A natureza
(Manacéa; por: Luiz Carlos da Vila e Martinho da Vila)
Quando a natureza se aborrece,
Toda a beleza na terra desaparece,
O céu todo escurece
A chuva logo desce
Mas isto desaparece
Quando o sol se resplandece
Os raios de sol logo descem
Clareando todo universoFaz sorrir, a natureza
Despertando
Toda a sua beleza
Oh! Que riqueza e faz sorrirÉs tão linda natureza
Que nem sei te divulgar
Sei que tu és a rainha
Da beleza -
Quando quiseres
(Manacéa; por: Tia Surica)
Quando você se arrepender
E quiser que o nosso amor
Volte a viver,
O meu coração não lhe aceitará,
Você de tristeza vai chorar.
Tenho a certeza que amor
Igual ao meu, você não vai encontrar,
Eu que queria tanto, tanto
Construir, um lar feliz
Para nós dois e você não quis
Lá lá á... -
Minha querida
(Manacéa; por: Manacéa)
Eu bem sei que será meu fim
Se deus qualquer hora
Tirar você de mim
Toda a minha alegria vai encerrar nesta terra
Eu sem você jamais terei o prazer de viver
Eu bem seiEu imploro, ao criador
Que não separe de mim este grande amor
Sem você, minha querida
Jamais terei alegria na vida -
Sempre teu amor
(Manacéa; por: Cristina Buarque)
Eu não sou ninguém
Como tu sabes amor
Só tenho a vida
Só tenho a alma
Que Deus me deu
Se tu queres
Bem assim como eu sou
Eu serei de corpo e alma
Sempre teu amorSe conservares pra mim
O tem amor sempre sincero
Teu serei
E nos teus braços eu morrerei -
Quantas lágrimas
(Manacéa; por: Teresa Cristina)
Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado,
Só em saber que não posso mais,
Reviver o meu passado,
Eu vivia cheio de esperança,
E de alegria eu cantava eu sorria,
Mas hoje em dia eu não tenho mais,
A alegria dos tempos atrás.Só melancolia os meus olhos trazem,
Ai quanta saudade a lembrança traz,
Se houvesse retrocesso na idade,
Eu não teria saudade,
Da minha mocidade....
Referẽncia: http://www.portelaweb.com/.
Intérprete(s)
Beth Carvalho, Cristina Buarque, Juliana Diniz, Luiz Carlos da Vila, Manacéa, Martinho da Vila, Teresa Cristina, Tia Surica, Velha-Guarda da PortelaCompositores:
Manacéa6 comentários »
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Manacéa será eterno..
melodias saborosas emuito bom de ser ouvir e cantarolar ,delicias dos sambas.
Aii tó digitando de joelho aqui meu caro..... passa os links ai para downloads dessa musicas aii ... por favor ?????????
Por favor, gostaria de saber se o compositor ainda está vivo e, se faleceu quando foi?
Obrigada.
Janice
Manacéa faleceu em novembro de 1995.
Abraço
Marcelo
Por favor, poderiam me informar como posso obter as cifras da música "Minha Rainha" de Manacéa.