Geraldo Pereira – Biografia
Geraldo Theodoro Pereira, nasceu em Juiz de Fora, em 23 de abril de 1908. Filho de Sebastão Maria e de Clementina Maria Teodoro. Tinha três irmãos, Manoel Araújo, Maria e Sebastiana.. Em 1930, mudou-se para o Rio de Janeiro para morar com o irmão mais velho, Manoel Araújo, conhecido como Mané Araújo e que morava no Santo Antônio, Morro de Mangueira. Passou a trabalhar como ajudante do irmão no balcão de uma tendinha mantida por ele no Buraco Quente, localidade do Morro da Mangueira. Mais tarde vieram também a mãe e as irmãs. Geraldo fez somente o primário na Escola Pará (mais tarde Escola Primária Pública Olympia do Couto). Nessa época, conheceu Buci Moreira, Padeirinho e Fernando Pimenta, que tinham idade semelhante a sua e que se tornariam futuros sambistas. Aos 14 anos empregou-se na fábrica de vidro José Scaroni, na Rua Gonzaga Bastos, onde num descuido, esmagou sua mão direita deixando-lhe seqüelas no dedo indicador. Com o dinheiro da indenização comprou um violão, que aprendeu a tocar com Aluisio Dias. Trabalhou também como apontador na Central do Brasil e aos 18 anos de idade, tirou sua carteira de motorista, empregando-se na Prefeitura do Rio de Janeiro, no volante do caminhão de limpeza urbana, emprego que manteve por toda a vida.
Sambas:
Ouças 15 sambas de autoria de Geraldo Pereira na "playlist" abaixo, ou cada samba individualmente no final do post, com suas respectivas letras. Lembrando que pelo tamanho da obra de Geraldo, outra Playlist será em breve publicada, com certeza.
- Acabou a sopa (de Augusto Garcez e Geraldo Pereira; por Marçal)
- Acertei no milhar (de Geraldo Pereira e Wilson Batista; por Nadinho da Ilha)
- Você está sumindo (de Geraldo Pereira e Jorge de Castro; por Roberto Silva)
- Sem compromisso (de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro; por Sururu na Roda)
- Que samba bom (de Geraldo Pereira e Jorge de Castro; por Martinho da Vila e Os Originais do Samba)
- Pisei num despacho (de Elpídio Viana e Geraldo Pereira; por Cyro Monteiro)
- Falsa baiana (de Geraldo Pereira; por Roberto Silva)
- Escurinho (de Geraldo Pereira; por Monarco)
- Bolinha de papel (de Geraldo Pereira; por João Nogueira)
- Chegou a bonitona (de Geraldo Pereira e José Batista; por Blecaute)
- Golpe errado (de Cristóvão de Alencar, David Nasser e Geraldo Pereira; por: Cristina Buarque)
- Até hoje não voltou (de Geraldo Pereira e Portela; por Nelson Sargento)
- Cabritada malsucedida (de Geraldo Pereira e Jorge Gebara; por: Geraldo Pereira)
- Ministério da economia (de Arnaldo Passos e Geraldo Pereira; por: Nadinho da Ilha)
- Escurinha (de Arnaldo Passos e Geraldo Pereira; por Cartola)
Geraldo tinha mais de 1,80 m de altura, magro, mulato puxado para negro, olhos claros, quase verdes e gostava de andar de terno branco. Era um sujeito alegre, vaidoso e mulherengo. Como muitos acham, Geraldo não era sujeito brigão, só não levava desaforo pra casa. Seu cotidiano passou a resumir-se nos bares, gafieiras e noitadas com diferentes mulheres. Fazia de tema para os seus sambas seus casos amorosos, tanto que a maioria esmagadora de seus sambas foram dedicadas ao sexo frágil.

Geraldo Pereira
Em 1938 "teve" que casar com Eulíria Salustiano, apelidada Nininha. Geraldo não gostava dela, ou melhor, gostava de todas. Eulíria teve um bebê, Celso Salustiano. Por volta de 1940, conheceu Isabel, grande amor de sua vida, musa inspiradora de sambas como "Acabou a sopa", gravado em 1940 por Cyro Monteiro e "Liberta meu coração", gravada em 1947 por Abílio Lessa. Esse grande amor do compositor, Isabel Mendes da Silva, fez Geraldo acomodar-ze em um "casamento" mais pacato, porém também atribulado, repleto de rompimentos e retornos mas que perdurou até a viuvez de Isabel.
Sua morte, em 8 de maio de 1955, aconteceu logo depois de uma briga de bar com o lendário bandido e homossexual Madame Satã, que ostentava a fama de valente. Depois de uma discussão no Restaurante Capela, na Lapa, Satã acertou um soco no rosto de Geraldo Pereira. Bêbado, o compositor perdeu o equilíbrio e caiu na calçada, na porta do bar. Bateu com a cabeça no meio-fio e ficou desacordado, sendo carregado para o Hospital dos Servidores, onde morreu no dia seguinte de hemorragia intestinal. Apesar do trauma causado pela briga, Geraldo já andava muito doente, com crises constantes de vômitos, evacuando sangue e emagrecendo assustadoramente a cada dia. Está enterrado no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.
O Músico
Nas reuniões musicais na casa de Alfredo Português, bom poeta e pai adotivo de outro futuro grande compositor, Nelson Sargento, lapidou seus conhecimentos rítmicos e poéticos, pois ali freqüentavam Cartola, Carlos Cachaça, Nélson Cavaquinho, entre outros. Afastou-se do morro com dezenove anos de idade, já um tímido compositor, começou a freqüentar as rodas artísticas da cidade, destacadamente as do Café Nice.
A partir de 1938 Geraldo Pereira começou a se movimentar com mais desenvoltura no universo do samba. Tirando os sambinhas, mostrava, timidamente, aos amigos e ao compositor Cyro de Souza. Em 1939, com 21 anos de idade, Geraldo viu sua primeira música ser gravada – o samba "Se você sair chorando", feito em parceria com Nelson Teixeira e gravado pela Odeon, na voz de Roberto Paiva: “Se você sair chorando / Dizendo que vai embora / Meu amor não ignoro o seu pensar...” Após a primeira gravação, Geraldo Pereira não parou mais de produzir, fazendo sucesso na maioria dos casos. Entre suas músicas mais famosas podemos citar "Acabou a sopa", "Acertei no milhar" (parceria com Wilson Batista, gravação histórica de Moreira da Silva), "Cabritada mal-sucedida", "Escurinha", "Escurinho" e "Falsa Baiana" (duas gravações memoráveis de Ciro Monteiro), "Bolinha de papel", "Chegou a bonitona" e tantas outras que marcaram época. Um dos maiores sucessos de Moreira da Silva, "Na subida do morro", creditado a ele e Ribeiro Cunha, segundo depoimento do próprio Morengueira é de Geraldo Pereira. Foi comprado por um mil e trezentos réis. Certa ocasião, ao ser chamado de sambista, Ary Barroso reagiu: "Infelizmente, não sou sambista. Sambista mesmo é Geraldo Pereira".

Geraldo Pereira
Homenagem
Em 1982, a Unidos do Jacarezinho, escola do segundo grupo, fez a sua pequena homenagem ao compositor com o tema "Geraldo Pereira, Eterna Glória do Samba". O samba-enredo foi composto por seu amigo Monarco, com a seguinte letra:
Já lembramos vultos da nossa História / Que estão cobertos de glória / Nesta terra alvissareira / Hoje o artista foi feliz / Lembrou-se de uma raiz / Da música brasileira / É o orgulho da nossa Estação Primeira / Se divertia nos bailes das gafieiras / E hoje nós cantamos com prazer, para enaltecer / O nome de Geraldo Pereira. / Foi o rei do samba sincopado / Deve ser sempre lembrado / Este grande compositor / Quem não lembra / De Falsa baiana e Bolinha de papel / Que fez bamba o nosso bacharel. / Você só dança com ele / E diz que é sem compromisso / É bom acabar com isso / Não sou nenhum Pai João / E o Jacarezinho enaltece o escurinho / Que tinha a mania de brigão.
Depoimentos
Cartola
"Estou bem lembrado do Geraldo quando ele chegou aqui em Mangueira. Devia ter uns doze anos... sei lá. Era muito comprido, parecendo ter mais idade. Diziam que tinha vindo a chamado de seu irmão, o Manuel Araújo. Mané Araújo, como era conhecido no morro, vivia viajando, parava pouco em casa. Acho que o Geraldo foi chamado de Minas justamente para substituir o Mané em suas longas ausências. Geraldo seria o homem da casa".
Nelson Sargento:
"O Geraldo saiu do morro com uns dezoito anos. Era um crioulo falador, adorava estar cercado de gente, contanto histórias. Soube que ele aprendeu violão com o Cartola. E que freqüentava a casa de Alfredo Português, meu padrasto e um ótimo letrista. Tá na cara que foram seus mestres em violão e poesia".
João Gilberto:
"Geraldo era aquele malandro alto, forte. Mas não era daqueles tipos agressivos - 'que é que há? como é que é?'. Era um malandrobem suave, falava manso, tinha aquela ginga certa de quem não tem pressa e sabe das coisas. Mas nem por isso ele perdia o velho estilo do valente da Lapa. Um dia, enquanto a gente estava tomando alguma coisa num bar da Lapa, passaram alguns sujeitos que ficaram olhando pra nós. Ele reagiu logo: 'Que é que vocês estão olhando? Isto aqui é gente minha'. Geraldo Pereira não tinha consciência disso, mas foi um inovador de nossa música". (Depoimento à Veja, em 1971).
Cyro Monteiro:
"Quando o conheci, ele me mostrou algumas músicas suas, perguntando se eu queria gravar. É claro que eu gravava, os sambas eram bons. E foi um sucesso. Comecei com Acabou a sopa, em 1940. Passei a gravar as músicas dele, mas muita gente invejava: achavam que eu o monopolizava".
Madame Satã:
"Fui acusado de ter matado o Geraldo Pereira, mas ele morreu por desleixo do médico. Foi para a assistência ainda vivo". (Depoimento ao Pasquim).

Geraldo Pereira
Conclusão
Geraldo, esse mineiro conquistou o Brasil com o samba - e como compositor da Estação Primeira de Mangueira. Geraldo Pereira levou ao extremo o que se entendia por samba sincopado - onde residia sua genialidade. Trouxe em suas músicas o cotidiano carioca, a mulher e o homem dos morros, uma forma de ver o país em que vivia nos anos 40 que se estende até os dias de hoje.
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Acabou a sopa
(Augusto Garcez e Geraldo Pereira; por: Marçal)
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Acertei no milhar
(Geraldo Pereira e Wilson Batista; por: Nadinho da Ilha)
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Você está sumindo
(Geraldo Pereira e Jorge de Castro; por: Roberto Silva)
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Sem compromisso
(Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro; por: Sururu na Roda)
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Que samba bom
(Geraldo Pereira e Jorge de Castro; por: Martinho da Vila e Os Originais do Samba)
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Pisei num despacho
(Elpídio Viana e Geraldo Pereira; por: Cyro Monteiro)
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Falsa baiana
(Geraldo Pereira; por: Roberto Silva)
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Escurinho
(Geraldo Pereira; por: Monarco)
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Bolinha de papel
(Geraldo Pereira; por: João Nogueira)
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Chegou a bonitona
(Geraldo Pereira e José Batista; por: Blecaute)
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Golpe errado
(Cristóvão de Alencar, David Nasser e Geraldo Pereira; por: Cristina Buarque)
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Até hoje não voltou
(Geraldo Pereira e Portela; por: Nelson Sargento)
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Cabritada malsucedida
(Geraldo Pereira e Jorge Gebara; por: Geraldo Pereira)
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Ministério da economia
(Arnaldo Passos e Geraldo Pereira; por: Nadinho da Ilha)
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Escurinha
(Arnaldo Passos e Geraldo Pereira; por: Cartola)
Referências:
http://www.mpbnet.com.br/musicos/geraldo.pereira/index.html
http://www.interligar.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=_templateRMB&infoid=254&sid=7
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?nome=Geraldo+Pereira&tabela=T_FORM_A
Intérprete(s)
Blecaute, Cartola, Cristina Buarque, Cyro Monteiro, Geraldo Pereira, João Nogueira, Marçal, Martinho da Vila, Monarco, Nadinho Da Ilha, Nelson Sargento, Os originais do samba, Roberto Silva, Sururu Na RodaCompositores:
Elpídio Viana, Geraldo Pereira, Wilson Batista11 comentários »
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Geraldo Pereira é um cantor muito ótimo, sambista de raiz. Antonio Martins/ Fortaleza/CE
muito bom parabems
Belíssimo trabalho, parabéns pela iniciativa de fazer este dossiê musical sobre o genial Geraldo Pereira. O"escurinho" de Juiz de Fora merecia a atenção deste blog. A Música Popular Brasileira é que ganha com esta matéria sobre o Geraldo Pereira. Sigam com o trabalho pegando outros compositores do quilate do compositor da Unidos de Mangueira.
Avaliação do site:
A ideia de criá-lo 10
A organização 10
Acesso 10
É um site campeão.
Viva!
Maravilhoso.
Por favor...alguem tem a partitura do SAMBA ESCURINHO? Pode ser para qualquer instrumento de sopro (SOLO)..obrigado
gosto de samba,e consegui muitas musicas que nao conhecia parabens continue postando estas preciosidades
Faço teatro nós do morro e estou preste a fazer uma cena co o titulo Amor de samba e adoraria fazer com uma música de geraldo
Sempre visito esse blog exploro e exploro e não deixo nenhum comentário... muito injusto.. rs.. Deixo aqui toda minha gratidão por nos oferecer tamanho acervo e mostrar que o samba só acaba quando o dia clarear. Salve, salve Geraldo Pereira.
Tive uma satisfação muito grande em ver que brasileiros terem esta iniciativa de grande valor para a nossa cultura, o samba é o Brasil eh a alegria do nosso
povo, felizmente precisamos muito mais, em prol do nosso espirito,parabéns a todos q participam desta iniciativa
obrigado pela lição de cultura
atenciosamente
ivan
Linda essa compilação de sambas do grande geraldo Pereira, na vóz de tanta gente boa.Me sinto um privilegiado porr nascido em um país com artistas tão geniais como Geraldo, Cartola, wilson, Noel e tantos outros que nem caberia nesse espaço.