Luiz Carlos da Vila – Biografia
Luiz Carlos Baptista ou Luiz Carlos da Vila, nasceu em 21 de julho de 1949, no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro, mas passou grande parte da vida na Vila da Penha, mais específicamente da Travessa da Amizade, de onde tirou o seu sobrenome artístico. Apaixonado por música, estudou acordeom e violão. Com o desemprego de seu pai, foi obrigado a interromper as aulas. Na década de 70, foi uma das figuras sempre presentes no já tradicional Cacique de Ramos, sendo considerado um dos formatadores do samba carioca contemporâneo. Passaram pelo Cacique compositores como Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Sereno, Sombrinha, Sombra, Almir Guinéto, Cláudio Camunguelo, entre tantos outros. Em homenagem ao bloco compôs Doce Refúgio: "Sim, é o Cacique de Ramos / Planta onde em todos os ramos / Cantam os passarinhos das manhãs / Lá do samba é alta bandeira / E até as tamarineiras são da poesia guardiãs".

Beto Sem Braço, Sapato, Almir Guinéto, Ratinho (Exporta Samba) e Luiz Carlos da Vila
Sambas:
Ouças alguns dos principais sambas de autoria de Luiz Carlos da Vila na "playlist" abaixo, ou cada samba individualmente no final do post, com suas respectivas letras. Vale lembrar que na lista abaixo, foram incluidos 15 sambas de um repértório muito vasto contido aqui no site. Posteriormente, uma nova "playlist" será criada (em outro post) também com sambas de autoria de Luiz Carlos da Vila.
- Doce refúgio (de Luiz Carlos da Vila; por Fundo de Quintal)
- Pra conquistar teu coração (de Luiz Carlos da Vila e Wanderley Monteiro; por Luiz Carlos da Vila)
- Os papéis (de Luiz Carlos da Vila e Wilson das Neves; por Zeca Pagodinho)
- O sonho não acabou (de Luiz Carlos da Vila; por Luiz Carlos da Vila)
- Fogueira de uma paixão (de Acyr Marques, Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila; por Leci Brandão)
- Além da razão (de Luiz Carlos da Vila, Sombra e Sombrinha; por Jorge Aragão)
- Nas veias do Brasil (de Luiz Carlos da Vila; por Beth Carvalho)
- Raças Brasil (de Carlos Sena e Luiz Carlos da Vila; por Ana Costa)
- Princípio do infinito (de Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila; por Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila)
- A luz do vencedor (de Candeia e Luiz Carlos da Vila; por Alcione)
- Então leva (de Bira da Vila e Luiz Carlos da Vila; por Zeca Pagodinho)
- Os Dourados Anos de Carlos Machado (Samba-de-enredo Vila Isabel 1979) (de Jonas Rodrigues, Luiz Carlos da Vila, Rodolpho de Souza e Tião Grande; por Velha Guarda da Vila Isabel)
- Kizomba, festa da raça (Samba-de-enredo Vila Isabel 1988) (de Jonas Rodrigues, Luiz Carlos da Vila e Rodolpho de Souza; por Martinho da Vila e Luiz Carlos da Vila)
- O show tem que continuar (de Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila e Sombrinha; por Fundo de Quintal)
- Cabô, meu pai (de Aldir Blanc, Luiz Carlos da Vila e Moacyr Luz; por Toque de Prima)
Já integrante da ala de compositores do G.R.E.S Unidos de Vila Isabel, levou, em 1988, a escola ao primeiro campeonato, do grupo especial, no desfile carioca. O enredo, uma parceria com Rodolpho de Souza e Jonas Rodrigues, Kizomba - A festa da raça, exaltava a influência negra no mundo: "Valeu Zumbi / O grito forte dos Palmares / Que correu terras céus e mares / Influenciando a Abolição". Esse foi um de seus sucessos mais populares, sempre lembrado nas rodas de samba. Também compôs outro samba-de-enredo: "Os Dourados Anos de Carlos Machado" juntamente com Jonas Rodrigues, Rodolpho de Souza e Tião Grande. Com esse lindo samba, a Vila Isabel conquistou o campeonato no ano de 1979 do Grupo 1B.

Luiz Carlos da Vila
Em 1983, produzido por Martinho da Vila, lançou o primeiro disco pela gravadora RCA
Amante das madrugadas, dos versos, Luiz Carlos da Vila tinha um brilho especial, causava espanto e admiração ao responder com poesia as acusações de quem considerava aquela movimentação do fundo dos quintais algo passageiro. Versos rebuscados e ao mesmo tempo tão populares, como em Além da Razão: "Por te amar / Eu pintei / Um azul do céu se admirar / Até o mar / Adocei / E das pedras leite eu fiz brotar".

Luiz Carlos da Vila
Era um mestre. Seus sambas sacudiram os pilares da cultura urbana brasileira. Luiz Carlos da Vila e sua poesia marcaram definitivamente todas as noites de quem perambulava pelos subúrbios cariocas em busca de boas rodas de samba. E depois pela Lapa, Zona Norte, Zona Sul, e os demais estados do Brasil.
Discografia
- 1983 - Luiz Carlos da Vila
- 1985 - Pra esfriar a cabeça
- 1995 - Raças Brasil
- 1997 - Uma festa no samba
- 1999 - A luz do vencedor
- 2004 - Benza, Deus
- 2006 - Um cantar à vontade
- 2006 - Matrizes
A admiração por Candeia rendeu, em 1998, o samba: A luz do vencedor, uma parceria de Luiz Carlos da Vila com o seu ídolo: "Quem não lutar / Pra conquistar o que sonhou / Fazer por merecer / Se iluminar / Com a luz que há no vencedor / Pode até ganhar / E méritos não ter".

Wilson Moreira, Aldir Blanc, Luiz Carlos da Vila e Moacyr Luz
Teve músicas cantadas por vários artistas e grupos, entre eles Beth Carvalho, Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho – que gravou Os papéis, parceria perfeita de Luiz Carlos da Vila e Wilson das Neves: "Os papéis / Que eu varei noite pra escrever um samba / Foram dez ou foram mil, não deu para contar / Meu papel / Foi de um sem fé que removeu montanhas / E nos céu dos fiéis, o senhor de tamanha façanha".

Luiz Carlos da Vila
No dia 20 de outubro de 2008, uma segunda-feira, o surdo tocou. Luiz Carlos da Vila morreu, aos 59 anos, vítima de complicações decorrentes de uma cirurgia. Mas o seu último desejo foi atendido: ele queria um enterro alegre. O velório, realizado na quadra de sua escola de samba do coração, a Vila Isabel, foi descontraído, com direito a mesa de bar e cerveja, enquanto seus amigos cantavam os sucessos do poeta.
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Doce refúgio
(de Luiz Carlos da Vila; por Fundo de Quintal)
Sim ... é o Cacique de Ramos
Planta onde em todos os ramos, cantam os passarinhos nas manhãs
Lá o samba é alta bandeira
E até as tamarineiras são da poesia guardiãsSeus compositores aquelas
Que deixam na gente aquela emoção
Seus ritmistas vão fundo
Tocando bem fundo qualquer coração
É uma festa brilhante
Um lindo brilhante mais fácil de achar
É perto de tudo ali no subúrbio
Um doce refúgio pra quem quer cantar
E caciqueÉ o Cacique pra uns a cachaça pra outros
A religião
Se estou longe o tempo não passa
E a saudade abraça o meu coração
Quando ele vai para as ruas
A vida flutua num sonho real
É o povo sorrindo Cacique esculpindo
Com mãos de alegria o seu carnaval
E cacique -
Pra conquistar teu coração
(de Luiz Carlos da Vila e Wanderley Monteiro; por Luiz Carlos da Vila)
Se o limite for o infinito
Vou subir até o pico do Everest
Nadar o oceano sem um grito
E de joelho atravessar o agreste
Faço isso tudo e muito mais
Pra te encontrar, te conquistar
E até provar que é minha paz
O inverso dos meus "ais"Preto no branco num poema, vou por sim
E onde houver um mal começo, por fim
Fazer de tudo pra mudar
Um novo mundo instalar
E com o mundo em minhas mãos
Onde houver talvez ou não, eu vou sim
Com as próprias mãos andar a pé ao Bonfim
E num xaxim eu vou plantar
Um baita de um jequitibá
Enraizar mesmo sem chão
São Tomé vai crer sem olhar
E todo mundo vai cantar
Que eu conquistei teu coração -
Os papéis
(de Luiz Carlos da Vila e Wilson das Neves; por Zeca Pagodinho)
(Os Papéis)
Os papéis
Que eu varei noite pra escrever um samba
Foram dez ou foram mil, não deu para contar
Meu papel
Foi de um sem fé que removeu montanhas
E no céu dos fiéis, o senhor de tamanha façanha
Os meus pés
Sempre dançavam pelas mãos de um bamba
Ou, ao invés, faziam tudo para eu tropeçar
Se era Deus, subi ao palco a pedir perdão
Quando eu era eu ou não eu, sim ou nãoFui Pastor
De ovelha negra, branca e sem matiz
De lá do campo e também da matriz
Eu me fiz seu escravo em papel de senhor
Pôr Amor
Foi ai que eu vi então que tudo o que escrevi
E também todo o papel que eu vivi
Só vivi pra você
Oh! Meu grande amor
Laiá... -
O sonho não acabou
(de Luiz Carlos da Vila; por Luiz Carlos da Vila)
A chama não se apagou, nem se apagará
És luz de eterno fulgor, Candeia
O tempo que o samba viver, o sonho não vai acabar
E ninguém irá esquecer, CandeiaTodo tempo que o céu
Abrigar o encanto de uma lua cheia
E o pescador afirmar
Que ouviu o cantar da sereia
E as fortes ondas do mar
Sorrindo brincar com a areia
A chama não vai se apagar, CandeiaOnde houver uma crença
Uma gota de fé, uma roda, uma aldeia
Um sorriso, um olhar
Que é um poema de fé
Sangue a correr nas veias
Um cantar à vontade
Outras coisas que a liberdade semeia
O sonho não vai acabar, Candeia -
Fogueira de uma paixão
(de Acyr Marques, Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila; por Leci Brandão)
Todos os galos cantaram........Eu sonhei!
Todas as chuvas caíram........Com você!
Todos os galos brigaram........E nem quis!
Todos os ovos frigiram........Acordar!
Todas as camas rangeram........Sonho bom!
Seu corpo nu só dormia........De sonhar!
Ao lado o meu fervilhava........Mas amor!
Na madrugada tão fria........Deixa estar!
Sem saber se lhe acordava........Eu sonhei!
Ou se lhe possuía........E não foi!
Mais que você eu sonhava........Sonho em vão!
Pois no seu sonho eu queria........Padeci!
Ter com você uma vaga........Ilusão!
No leito que se ilumina
Com a fogueira de uma paixãoE nesse vai ou não vai
Fiquei meio sem direção
Cometa que passou bem longe
Dos olhos da multidão
Se fez manhã, dormi
Mas antes eu senti
Você tocar em mim
Mas já não dava não -
Além da razão
(de Luiz Carlos da Vila, Sombra e Sombrinha; por Jorge Aragão)
Pôr te amar eu pintei...
Um azul do céu se admirar
Até o mar adocei...
E das pedras leite eu fiz brotar
De um vulgar fiz um rei...
E do nada o império pra te dar
E a cantar eu direi o que eu acho então o que é amarÉ uma ponte...lá para o longe
Dos horizontes... jardim sem espinhos
Vinho que vai bem... em qualquer canção
Roupa de vestir... qualquer estaçãoÉ uma dança... paz de criança
Que só se alcança... se houver carinho
É estar além... da simples razão
Basta não mentir... pro seu coração -
Nas veias do Brasil
(de Luiz Carlos da Vila; por Beth Carvalho)
Os negros
Trazidos lá do além-mar
Vieram para espalhar
Suas coisas transcendentais
Respeito
Ao céu, a terra e ao mar
Ao índio veio juntar
O amor, à liberdade
A força de um baobá
Tanta luz no pensar
Veio de lá
A criatividadeTantos o preto velho já curou
E a mãe preta amamentou
Tem alma negra o povo
Os sonhos tirados do fogão
A magia da canção
O carnaval é fogo
O samba corre
Nas veias dessa pátria-mãe gentil
É preciso altitude
De assumir a negritude
Pra ser muito mais Brasil -
Raças Brasil
(de Carlos Sena e Luiz Carlos da Vila; por Ana Costa)
A falta de luz
Não tira do samba o seu estrelato
Mantém o compasso no brilho do prato
Vivendo e mantendo a sua cadência
O samba conduz
E ele reluz a verdade de fato
É pulso de aço, merece um bom trato
O samba vai sendo a voz da resistênciaO samba é cultura, ele é curador
Tem a estrutura de um grande amor
É coisa divina e coisa igual ninguém viu
O samba enlaça a soma das raças BrasilO samba é umbanda, é quimbanda
É pagode e é também candomblé
Lambada, maxixe, baião, frevo, afoxé
É a porção mais pura de uma mistura que surgiu
O samba enlaça a soma das raças do Brasil -
Princípio do infinito
(de Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila; por Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila)
É muito mais que imaginei
Você nem pode imaginar
Que assim, logo assim que eu olhei
Eu logo vi e aí me dei
Conta de que me vi no seu olhar
Tinha mais luz do que eu sonhei
Ou mesmo deus pode sonhar
Por fim dei por mim me apaixonei
Sonho mais doce que eu provei
E sempre vou provarQue é um amor bem mais
Do que o amor que faz
Apenas um amor bonito
É a guerra e a paz
Bruxas e orixás
Princípio do infinitoÉ o bonde é o trem
É o zero é o cem
O silêncio e o grito
Ah! meu deus do céu
Princípio do infinitoÉ o mal é o bem
A rainha e o ninguém
O normal e o mito
Ah! meu deus do céu
Princípio do infinitoÉ o aqui e o além
O ateu e o amém
Mal olhado e bendito
Ah! meu deus do céu
Princípio do infinito -
A luz do vencedor
(de Candeia e Luiz Carlos da Vila; por Alcione)
Quem não lutar
Pra conquistar o que sonhou
Fazer por merecer
Se iluminar
Com a Luz que há no vencedor
Pode até ganhar
E Mérito não terAquecer
Os seus ideais em muito amor
Com o poder nas mãos não brincar
O arvoredo do mal derrubar
E arrancá-lo bem na raizSua vida no bem sublimar
Pra ajudar a erguer o pilar
De um Mundo bem mais feliz -
Então leva
(de Bira da Vila e Luiz Carlos da Vila; por Zeca Pagodinho)
Leva, tudo aquilo que eu dei
Mas não leva tudo que eu podia darLeva o Van Gogh e o Buldogue de raça que eu criei
E a medalha que um jogo de malha nos aproximou
Leva o aparelho de jantar e a baixela de prata
E o retrato daquela mulata que o Lan desenhou
Leva a obra completa de Machado de Assis
Entre as curvas e retas, sua bissetriz
Leva o apartamento que está desocupado
Já que não quer mais viver ao meu lado
Então leva!...Ia lhe dar sol e terra e casa à beira-mar
Num chateau lá no alto da serra, à luz do luar
E ao invés de parabéns, uma bela serenata
Com direito a Mar Del Plata, Cancún e Paris
Leva a sua grandeza, que me fez feliz
Leva também a certeza, que eu também lhe fiz
Leva o meu coração, que está desocupado
Já que não quer mais viver ao meu lado
Então leva!.. -
Os Dourados Anos de Carlos Machado (Samba-de-enredo Vila Isabel 1979)
(de Jonas Rodrigues, Luiz Carlos da Vila, Rodolpho de Souza e Tião Grande; por Velha Guarda da Vila Isabel)
Bela época
Com o luxo e a arte a sorrir
A malícia retratada
Na elegância do vestir
Eram festas
Cada show uma obra de amor
Era um festival de cores
E poesia, que esplendor!
Oba, oba, com o feitiço da Vila eu cheguei
Oba, oba chegou o rei
Vim mostrar a alegria
Da boemia, cassinos e cafés
A mulata que fascina
Carnavais e cabarésLembro Noel, Chico e Lalá
Pierrôs e colombinas
E a platéia a delirarFiz da noite o meu reinado
O meu mundo encantado
Iluminei
Palcos e lugares que passei
E a Bahia decantei
Nas "graças do Bonfim"
Baianas enfeitadas
De sandálias prateadas
E turbantes de cetimO Rio amanheceu cantando lá lá lá
O Rio amanheceu cantando
Clarins em fá -
Kizomba, festa da raça (Samba-de-enredo Vila Isabel 1988)
(de Jonas Rodrigues, Luiz Carlos da Vila e Rodolpho de Souza; por Martinho da Vila e Luiz Carlos da Vila)
Valeu, Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terra, céus e mares
Influenciando a abolição
Zumbi, valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e Maracatu
Vem, menininha
Pra dançar o CaxambuÔ,ô, Ô,ô
Nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô,ô
Ô,ô,ô,ô
Clementina, o pagode é o partido popular
Sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoçãoEsta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituiçãoQue magia
Reza, Agéum e Orixá
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E o bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituaisVem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede e nossa sede
De que o aparthaid se destrua -
O show tem que continuar
(de Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila e Sombrinha; por Fundo de Quintal)
O teu choro já não toca meu bandolim
Diz que minha voz sufoca teu violão
Afrouxaram-se as cordas e assim desafina
Que pobre das rimas da nossa canção
Hoje somos folha morta
Metais em surdina
Fechada a cortina, vazio o salãoSe os duetos não se encontram mais
E os solos perderam a emoção
Se acabou o gás
Pra cantar o mais simples refrão
Se a gente nota
Que uma só nota
Já nos esgota
O show perde a razão
Mais iremos achar o tom
Um acorde com lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez, o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O show tem que continuarNós iremos até Paris
Arrasar no Olímpia
O show tem que continuarOlha o povo pedindo bis
Os ingressos vão se esgotar
O show tem que continuarTodo mundo que hoje diz
Acabou, vai se admirar
Nosso amor vai continuar -
Cabô, meu pai
(de Aldir Blanc, Luiz Carlos da Vila e Moacyr Luz; por Toque de Prima)
O pai me disse que a tradição é lanterna
Vem do ancestral, é moderna
Bem mais que o modernoso
E aí é o meu coração que governa
Na treva é a luz mais eterna
O todo mais poderosoTambém me disse
Com aquele jeito orgulhoso
Que o samba é mais que formoso
Que ninguém lhe passa a perna
É a marola que vira o mar furioso
Netuno misterioso o tesouro das cavernasA jura é pra quem rezar
A reza é pra quem jurar
A alma pra sempre é do fundador
Maré muda com o luar
Futuro é pra quem lembrar
Se é isso que o pai ensinou
CabôCabô, meu pai, Cabô, ô
Cabô, meu pai, Cabô
Pesquisa: Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira e Secretária de Educação do Estado do Rio de Janeiro
Compositores:
Acyr Marques, Arlindo Cruz, Candeia, Carlos Sena, Cláudio Jorge, Luiz Carlos da Vila, Moacyr Luz, Rodolpho de Souza, Sombra, Sombrinha, Wanderley Monteiro28 comentários »
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