Postagens que contém sambas do Compositor ou da Escola de Samba: Barbeirinho do Jacerezinho


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Barbeirinho do Jacarezinho – Biografia

 

Quem nunca escutou uma música que trava um diálogo com o cotidiano. Aquelas que falam das coisas da cidade, da vida difícil do povo trabalhador, dos políticos picaretas, dos relacionamentos complicados, dos verdadeiros personagens que encontramos no dia a dia e tantas outras coisas mais. A marca de uma boa música, que surge como uma crônica da vida é uma boa dosagem de irreverência.

Barbeirinho do Jacarezinho
Barbeirinho do Jacarezinho

Pedimos licença para apresentar um grande compositor, abençoado por Aldir Blanc, eternizado na voz de Bezerra da Silva e nada mais nada menos que quatorze vezes gravado por Zeca Pagodinho além de Almir Guinéto, Arlindo Cruz, Dudu Nobre e muitos outros, Barbeirinho do Jacarezinho, menos conhecido que suas obras, o que lhe concede o valor de um grande artista é compositor, mas também é cantor e ainda um cavaco de ouro. Através de sua natureza irreverente, constrói em música as histórias fantásticas ou verdadeiras que ganham terreiros, rodas de samba e a voz do povo.

Ouça alguns dos principais sambas de autoria de Barbeirinho do Jacarezinho na "playlist" abaixo, ou cada samba individualmente no final do post, com suas respectivas letras.

  1. Conflito (Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz; por Zeca Pagodinho)
  2. Maria Alice (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por Luiz Grande e Marquinhos Diniz)
  3. Dona Esponja (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz)
  4. Sequestraram minha sogra (Barbeirinho do Jacarezinho, Rode e Sarabanda; por Bezerra da Silva)
  5. Sua cabeça não passa na porta (Barbeirinho do Jacarezinho; por Bezerra da Silva)
  6. Caviar (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por Zeca Pagodinho)
  7. Suburbano feliz (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por Toque de Prima)
  8. O som do samba (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por Zeca Pagodinho)
  9. O banjo (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por Arlindo Cruz)
  10. Fiquei amarrado na sua blusinha (Barbeirinho do Jacarezinho e Rode; por Zeca Pagodinho)

Parceiro de outros grandes valiosos sambistas e integrante do Trio Calafrio com Marquinho Diniz e Luiz Grande, traz um repertório à altura dos sambas cantados pela cidade. Barbeirinho do Jacarezinho, nome artístico de Carlos Alberto Ferreira César, também conhecido como Barbeiro para os mais chegados, filho de pai barbeiro e tocador de acordeom e que residiu na favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro, traz no nome sua escola e bairro de nascença. Campeão de sambas-enredo e membro nato da ala de compositores do G.R.E.S. Unidos do Jacarezinho, mostra uma grande desenvoltura em compor em diversos estilos de samba. Seu carisma e sua alegria valem uma grande presença de palco, pois com raciocino rápido, tiradas impagáveis e memoráveis histórias, uma apresentação de Barbeiro se transforma sempre num grande show.

Trio Calafrio
Trio Calafrio

Barbeirinho foi vencedor na disputa de samba-de-enredo no Unidos do Jacarezinho nos anos:

  • 1985 - Do batuque à Apoteose, o samba pede passagem (com: JB, Jorginho Boró e Expedito José)
  • 1989 - Mitologia, astrologia, horóscopo, uma bênção para o carnaval brasileiro (com: Jorge PI, Serginho da Banda, Macambira, Batista, Lúcio Bacalhau
  • 2003 - Jacarezinho roda, roda, roda e avisa: Que saudades do Velho Guerreiro - Chacrinha! (com: Marquinhos Diniz, Baianinho do Pandeiro e Nêgo Piu
  • 2009 - Ora, pois, pois... tem Paticumbum à Vista! (com: Anderson, Luiz Carlos e Moleque Silveira)

 

  1. Conflito

    (Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz; por: Zeca Pagodinho)

    Ai, que conflito
    Roubaram o cabrito do seu Benedito

    O couro virou tamborim da escola
    A carne do bicho entrou no palito
    Assado na brasa e cerveja gelada
    Muita batucada e cachaça de litro

    Benedito ao dar falta do bode
    Chegou no pagode com cara de aflito
    Pegou o churrasqueiro e deu logo um sacode
    Encheu de bolacha o Zé Periquito
    Deu tiro na bola, parou a pelada
    Que era apitada por Dão Esquisito
    Que ao ver Benedito baixando a madeira
    Ficou de bobeira engoliu o apito

    Mas tinha um tal de Caroço
    Que chupava um osso igual pirulito
    Esse, Benedito agarrou no pescoço
    E atirou no poço na hora do atrito
    Pior pro cara do pandeiro
    Que cantava maneiro e versava bonito
    Mas ganhou uma banda, caiu no braseiro
    E gritava bombeiro, me acode, eu tô frito é conflito

  2. Maria Alice

    (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por: Luiz Grande e Marquinhos Diniz)

    Quem foi que disse que Maria Alice me abandonou
    Isso é pura tolice, é fanfaronisse de algum falador
    Estamos tranquilos em nossa cachanga,
    Isso é papo de otário, ou de alguma baranga,
    Carente, invejosa que a vida não goza, não sabe de amor

    Não vou negar, como todo casal temos lá nosso impasse
    Entre a gente isso é um fato normal,
    Porém muito banal, pra romper forte enlaçe
    Cama e mesa estão quentes, o amor tá presente
    Até vem mais um fruto da nossa semente
    Se a carência é um carma, a inveja é arma dos imcompetentes

  3. Dona Esponja

    (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por: Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz)

    (Dona Esponja já incorporou)
    Já incorporou Brahmará
    Se alguém cantar pro seu santo subir
    Vai perder o topete, vai, vai, vai
    Dona Esponja esculacha
    Bebe mais de cinco caixas
    Sem usar o toalete

    Dona Esponja quando chega
    E se espoja lá no bar
    Pede uma purinha para abrideira
    E receber Brahmará
    Aí vem tira-gosto à beça e a gosto
    Sardinha, lingüiça, torresmo e croquete
    Bebe mais de cinco caixas
    Sem usar o toalete

    Logo após as cento e vinte ampolas
    Vejam bem no que resulta:
    Brahmará se manifesta
    Dona Esponja dá consulta
    Quando saca do cachimbo
    O fumo de rolo e o seu canivete
    Bebe mais de cinco caixas
    Sem usar o toalete

  4. Sequestraram minha sogra

    (Barbeirinho do Jacarezinho, Rode e Sarabanda; por: Bezerra da Silva)

    Sequestraram minha sogra, bem feito pro sequestrador
    Ao invés de eu pagar o resgate, foi ele quem me pagou
    Ele pagou, o preço da mala que ele que ele carregou
    Ele pagou, a paga da praga que ele sequestrou

    O telefone tocou uma voz cavernosa pedindo um milhão
    Pra libertar minha sogra que não vale nenhum tostão
    Ela zuou no cativeiro, mordeu a mordaça e a algema quebrou
    E até a bala do meu revólver a capeta da sua sogra chupou
    Ele pagou...

    Novamente toca o telefone invertendo a situação
    Se eu recebesse a mejera de volta ele me dava o dobro da grana na mão
    Já paguei por todos meus pecados me disse chorando o sequestrador
    Vou me entregar a polícia e quando sair serei mais um pastor
    Ele pagou....

  5. Sua cabeça não passa na porta

    (Barbeirinho do Jacarezinho; por: Bezerra da Silva)

    Oh! Meu amigo, a turma está fazendo festa
    Olha aí! Esse negócio que nasceu na sua testa

    Seu amigo que é gavião
    Está sempre contente e feliz
    Todo dia ele dá um presente à sua criança e você nada diz
    E a sua mulher, muito honesta, jura e diz que nem morta
    Mas qualquer dia sua cabeça não passa na porta

    Vê se toma um chá de "simancol"
    Pra sua moral ela não bagunçar
    Quando você passa na esquina
    A rapaziada começa a cantar:
    Lá vai o mané
    Por incrível que pareça
    O chapéu do sem-vergonha
    Está à três palmos da cabeça

  6. Caviar

    (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por: Zeca Pagodinho)

    Você sabe o que é caviar?
    Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar

    Caviar é comida de rico curioso fico, só sei que se come
    Na mesa de poucos fartura adoidado
    Mas se olha pro lado depara com a fome
    Sou mais ovo frito, farofa e torresmo
    Pois na minha casa é o que mais se consome
    Por isso, se alguém vier me perguntar
    O que é caviar, só conheço de nome

    Geralmente quem come esse prato tem bala na agulha
    Não é qualquer um
    Quem sou eu pra tirar essa chinfra
    Se vivo na vala pescando muçum
    Mesmo assim não reclamo da vida
    Apesar de sofrida, consigo levar
    Um dia eu acerto numa loteria
    E dessa iguaria até posso provar

  7. Suburbano feliz

    (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por: Toque de Prima)

    Eu me sinto feliz em ser suburbano
    A nossa convivência é respeito e decência com calor humano
    Todo fim de semana curtindo a pelada com muito pagode, cerveja gelada
    Não tem traíragem, é só camaradagem entre a rapaziada

    Quando falta o sal (Quando falta o sal)
    Pego a canequinha (Pego a canequinha)
    Se alguém passa mal
    Vem logo o socorro da vizinha
    E o famoso pendura do bar da esquina
    Pra quem não vacila, tem sempre uma aval
    O subúrbio dá show em convivio social

    O suburbio é, fale quem quiser
    Um lugar maneiro pra se morar
    Mesmo que eu fique rico, compadre
    Eu nunca saio de lá

  8. O som do samba

    (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por: Zeca Pagodinho)

    Ia descansar, mas escutei
    O som do samba e levantei
    Saí pra rua a procurar
    De onde vinha aquela batucada
    Lindos sambas de terreiro
    E os versos dos partideiros
    Com a lua cheia a clarear

    Foi aí que eu senti que era covardia
    Pois a noite estava clara como o dia
    Tanta melodia a fluir
    Como eu poderia dormir?

    Eu lavei minha alma de ouvir lindos sambas
    De grandes sambistas de quem eu sou fã
    Quando eu dei por mim com meu tamborim
    Era de manhã

  9. O banjo

    (Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz; por: Arlindo Cruz)

    Sem ele no pagode eu não me arranjo
    Vai buscar o meu banjo que hoje eu quero versar
    Curti com a cara desse marmanjo
    Que chegou no pagode dizendo
    Que pode até me derrubar

    Vou mostrar para ele que não sou mané
    Me garanto no banjo e ainda digo no pé
    Eu não deixo furo e no samba duro
    Na festa da Penha já disse qual é
    Quem não acredita emburaca pra ver
    Tiro chinfra adoidado se o coro comer
    Eu sou da antiga eu não gosto de briga
    Mas não vou correr, mais sem ele...

    Tem até filmadora pra gente filmar
    Ele pagando mico tentando versar
    Quero ver se ele agüenta
    Ficar de marola com a rapaziada até o sol raiar
    Já versei com Aniceto e o velho Babaú
    Com Geraldo Babão, Paderinho e Guará
    Eu nunca me entrego
    Quem é esse prego pra me esculachar, mais sem ele...

    Esse mala sem alça hoje vai me pagar
    Dá um lençol de casado pra ele
    Enxugar e secar todo pranto
    Bastante cuidado com esse comédia
    Pra não se afogar
    Ele tem que aprender respeitar a raiz
    Que um sambista da antiga não diz blá blá blá
    Quando chegar meu banjo
    Vai sobrar ouriço pra ele sentar

  10. Fiquei amarrado na sua blusinha

    (Barbeirinho do Jacarezinho e Rode; por: Zeca Pagodinho)

    Ô pretinha, fiquei amarrado na sua blusinha, pretinha
    Ô pretinha, fiquei amarrado na sua blusinha

    Mas essa sua blusa é uma coisa louca
    Tá todo mundo prestando atenção
    E esses moranguinhos dão água na boca
    Será que esse bordado foi feito à mão
    Se você topar proponho um casamento
    Dou-lhe um apartamento no Novo Leblon
    Todo mobiliado, com empregadinha
    Tudo isso por causa da sua blusinha, pretinha

    Mas se você já tiver compromisso
    Não quero transgredir o nono mandamento
    Ainda mais se o teu nêgo for aquele nêgo
    Que quando está de fogo encara um regimento
    E ele já está me olhando esse tempo todo
    Já bebeu uma garrafa de cana purinha
    Ou será que também ele está amarrado
    No bordado da tua blusinha, pretinha

Referẽncia: http://rafaelnunespstu.wordpress.com/.


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