Postagens que contém sambas do Compositor: Baiaco’


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Lirismo do Rio (Galocantô)

Gravadora: Independente / Ano: 2009
Ouça o álbum completo abaixo, ou cada samba individualmente logo após a “capa do álbum.”

Lirismo do Rio (Galocantô)

  1. Resistência

    (Nei Lopes e Zé Luiz do Império)

    Resista que o dever | Do artista é resistir | Pr’a não morrer vivo | Nem cativo sucumbir | Faça da emoção | A sua profissão de fé | Trate a inspiração | Como um botão de um bem-me-quer | Mentes e pincéis, | Rimas, cinzéis e violões | A serviço sempre | Das mais belas intenções | Nem reis, nem barões | Comprarão a consciência | De quem faz arder | A chama da resistência || Na sua pintura | Pinte um retrado de Deus | Na arquitetura | Erga vários coliseus || Mas nunca se esqueça | Que do velho nasce o novo | E todo poder só é real | Se vem do povo

  2. Lirismo do Rio

    (Alexandre Guichard, Binho Sá e Edson Cortes)

    Onde está? | O lirismo do Rio onde está? | Onde andará? | É preciso encontrar || O Rio antigo onde a boêmia está | É preciso encontrar | O jeito malandro | Que é muito saudável buscar | Que retrato em meu canto | Em saudades no ar | Que me liberta, que me desperta | E desfaz os meus anseios | Faz que o sonho | Não se torne pesadelo | Rezo e canto em apelo | Ao bom Santo Padroeiro | Que proteja nosso Rio de Janeiro | Lalalaiá lalaiá lalaiá lalaiá | Lalalaiá lalaiá lalaiá

  3. Fotografia de Papel

    (Fred Camacho e Rodrigo Camacho)

    Como é bom a gente recordar | Como é bom a gente recordar || Quando a gente se encontra num bar | Numa esquina de Vila Isabel | Poesia é o que fica no ar | Entre o chão musical e o céu | Saudades do que eu não vivi | A Tijuca lá na São Miguel | Ai, que vontade de ir! | O Salgueiro no Maxwell | Até onde eu posso lembrar | O pagode do Estácio de Sá | Porão 80, Botecoteco… eu vi passar || Voltar no tempo com alegria | Dá vontade de cantar | Porque o samba tem magia | Que me faz emocionar | Mora na imaginação | Da vida, um retrato fiel | Ao comtemplar fotografias de papel

  4. Meu baio, meus balaios

    (Wilson Moreira)

    Meu cavalo baio é meu companheiro | É nele que eu saio pr’a ganhar dinheiro | Em cada lado, carrego um balaio | Com meu grito alto, vendo e me distraio || Verde, verdura, lima e limão | Cana doce, pura, e também rapadura | Õ, melado! pimenta e pimentão | Doce bom-bocado, cheiro-verde, agrião

  5. O som do samba

    (Barbeirinho do Jacerezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz)

    Ia descansar mas escutei | O som do samba e levantei | Saí pr’a rua a procurar | De onde vinha aquela batucada | Lindos sambas de terreiro | E os versos dos partideiros | Com a lua cheia a clarear || Foi aí que eu senti que era covardia | Pois a noite estava clara como o dia | Tanta melodia e fluir | Como eu poderia dormir | Eu lavei minha alma | De ouvir lindos sambas | De grandes sambistas | De quem eu sou fã | Quando eu dei por mim | Com meu tamborim | Era de manhã

  6. Roçado

    (Edson Cortes, Lula Matos e João Martins)

    Quem curiou, curiou | Porque a fonte secou, pois é | Vamos fechar o terreiro | Porém o dia raiou | E alguém anunciou: José | Amanhã chegarei primeiro || Vou chegar mais cedo pr’a beber | Na coité, na cuia, cabaça, cumbuca | A moringa da tia não pode secar! | E o povo de longe que vem | Quer matar a sede | Pois a sede que eles têm | Tia sabe matar || Ê tempo bom que a gente deitava na rede | Depois de uma boa cachaça | Pr’a ver a noite chegar | Festa na roça é roçado, acende a fogueira | Canjica, abará, folha de bananeira | Pipoca, pinhão e bolo de fubá

  7. Samba oriundo

    (Edson Cortes, Niquinho Azevedo e Wantuir)

    O samba é oriundo do Jongo | Foi batepé no Quilombo | É coisa séria do arco da velha | Vamos respeitar | É o samba de sinhô | É o samba de sinhá | Foi consolo pr’a iô iô | Foi consolo pr’a iá iá || É coisa que pisa na terra | Com paz e sem guerra, Louva Orixá | É oferenda pr’os deuses | Poema sublime pro povo entoar | Hoje é canto de elite | Tem quem admite, lhe abrindo a sala | Mas antes foi canto sofrido | Que trouxe o gemido de lá da senzala || É coisa que envolve a raça | Cultura que a massa tem que se ligar | É rima de Aniceto, de Donga, | Guineto, Noel, Anescar, | É coisa de Zé com fome | Que fez o seu nome no mundo do samba | Candeia, grande baluarte | Que dentro da arte mostrou que foi bamba

  8. Baile de Saci

    (Toninho Geraes e Toninho Nascimento)

    Não é que eu queira | Sempre ser do contra | Nem desconfio como São Tomé | Mas acontece que pr’a mim só conta | Quando se fala realmente do que é | Nunca se viu um mala cheia na cadeia | E nem sapinho em boca de siri | Não me recordo de qualquer sereia | Dizer samba no pé em baile de saci || Não meto o malho no trabalho | De baralho da sua cigana | Mas qualquer um que não se engana | De repente pode se enganar | Quem só viveu se alimentando | De esfiha e caldo de cana | Não pode agora vir menosprezar | O apimentado do meu vatapá || Você debocha | Porque eu não esbanjo | Não vem com falso ouro | Pr’a cima de mim | Pois o sapato | Do meu pé-de-anjo | Ainda tá barato | Pro meu querubim

  9. Patria amada

    (Edson Cortes, Floriano Silva e Ivan Aurélio)

    A bala perdida, o risco de vida | Sem culpa, quem parte tem sonho no ar | A mão que se erque e almeja a esmola | A bola que rola é o mundo a girar || Com o corpo cansado, falido, humilhado | E a gente ainda encontra forças pr’a cantar | Êê laiá Brasil lá laiá Laaaaiááá || A febre consome um morto de fome | Que é pai de família sem teto e sem chão | E lá em Brasília tamanha quadrilha | Decide a sorte da população | Em meio a essa guerra ninguém se entrega | E a gente ainda encontra forças pr’a cantar | Êê laiá Brasil lá laiá Laaaaiááá || Brasil, Brasil, | Pátria amada, tão sonhada, mãe gentil | Do norte a pobreza até o sul da riqueza | O país, que é beleza, vive a agonizar | A fé nos alcança e nos traz esperança | De uma nova era, tranquila a reinar | Sem grana no bolso, passando um sufoco | E a gente ainda encontra forças pr’a cantar | Êê laiá Brasil lá laiá Laaaaiááá || Encontram-se os bambas | Pelas rodas de samba | Que cantam seus sonhos pr’a desabafar | Nos morros, favelas, guetos e vielas | Tem gente da gente querendo chegar | Mistura de raça que encanta com graça | De verde, amarelo, de branco e anil | És idolatrada e por tantos sonhada | Pátria amada, Brasil || Brasil, Brasil | Pátria amada, tão sonhada, mãe gentil

  10. Ilha do abandono

    (Edson Cortes e Niquinho Azevedo)

    Por onde andará ultimamente | Quem me fez sofrer como ninguém | Eu abro o meu particularmente | Pr’a ver se me liberto desse adeus | O adeus que até me fez perder o sono | Com dúvidas sem ter explicação | E me lançou na ilha do abandono | Cercado pelo mar da solidão || Na busca incessante da verdade | Eu mostro então em meu interior | Pulsar um coração tão esgotado | Por se tornar um náufrago do amor | O amor que vai sem dó sempre machuca | É o preço por não ter limitação | Eu descobri que o amor não dá desculpa | Nem vem com manual de instrução

  11. Sei chorar

    (Fred Camacho – Rodrigo Carvalho)

    Sei chorar | Desatar o nó que aqui está | Choro o pranto doce da alegria | Desabafo a dor da nostalgia | E cantar | Sempre me ajudou a acreditar | Que o destino me fez vencedor | Sempre com alegria sobrepor || A maldade | Meu perdão não tem idade | Jogo com sinceridade | É… lamento que já não és assim (E já não és assim) | Nunca em minha vida | Desilusão se fez | Em nenhuma despedida | Faltou-me a emoção | Não deixarei de cantar | Enganando a solidão | O meu olhar, não vai ver transbordar | Não deixarei de cantar | Enganando a solidão | Por ti não vou chorar

  12. Haja coração

    (Edson Cortes, Edu Tardin e Paulo Franco)

    A felicidade é um poema | Que já foi escrito a mim | Triste quando a gente muda a cena | E haja coração pr’a superar | O que foi ruim | Não vou dizer que não sou pecador | Mas este mal de amor eu não mereço || Já paguei o preço dessa ingratidão | Liberte as chagas do meu coração || Somente o tempo pode superar | Remediar a dor, fechar a cicatriz | Trazer o alento, a paz | Sem nos negar o afã | De uma manhã bem mais feliz || Por isso é preciso estar atento | Não brincar com os sentimentos seus | Pr’a não se machucar e em desalento | Evitar sofrer um novo adeus

  13. A velha estrada

    (Edu Tardin e Rodrigo Carvalho)

    Nem toda saudade de amor | Se vai com o tempo | Ás vezes, no meu pensamento, | Eu me lembro de alguém | Que um dia partiu | Mas deixou alguma coisa boa | Não são lembranças à toa | Se um dia me fizeram bem | Jamais esquecerei | Do meu passado | Somente com esse legado | É que posso encontrar | Caminhos e atalhos do destino | Desse coração menino | Pronto pr’a recomeçar… || Uma nova jornada | Vou desfrutar | Águas passadas só terão poder | De carregar todas as mágoas | E as incertezas de um infeliz | Pr’a percorrer a velha estrada | Com a inocência de um aprendiz

  14. Alforria no morro

    (Edson Cortes, Fabio Rodrigues e Marcelo Correia)

    Sonhei que no morro renascia um rei | E uma nova alforria voltou | Vi meu povo libertado do descaso | Vi em brasas ser cremado o fracasso | Que a ganância dos tiranos nos fadou | O sol queimou tão forte, nesse instante, que cegou | Toda a maldade que incessante germinou | No seio da humanidade | Perplexa a multidão se debruçava nas janelas | Para assistir a infinitas aquarelas | Pintando de felicidade || As matas, que logo verdejamos floresceram | Negros mares turvos, indomáveis padeceram | E os vendavais silenciaram a cidade | Mudando a realidade || Tudo de repente era tão claro | E daquele tom azul tão raro | Uma nuvem prata desce ao chão | Com a velocidade de um tufão || E nela parte o Rei | Foi quando se entendeu | Que era Deus, que veio a nós | Nosso clamor enfim soou aos céus | E os “ais” que nos seguiu sem paz nos libertou

  15. Arte do povo

    (Baiaco, Mingo e Paulo Franco)

    Você que fala de samba | E não sabe o que diz | Vá procurar se informar | Tem que respeitar raiz | O samba é a voz do povo | Um canto feliz | Liberta a cultura | É riqueza do nosso País || Fazendo a união do asfalto, | Do morro e de qualquer lugar | Sem distinção de raça | Vem para ratificar | Respeita qualquer espaço | Impõem o seu traço | Sem menosprezar | Tem base forte | Chegou e ergueu seu pilar || Já sem correr da polícia | Cheio de malícia e malemolência | É a mistura de cantos | Desperta encantos com sua cadência | Tem competência, essência | E nem a ciência consegue explicar | Nasce com espontaneidade | Mas a faculdade não pode ensinar || É dom, é raiz, é verdade | Tem identidade | É arte do povo | O tempo envelhece | E o samba permanece novo

Músicos

Edson Cortes= voz: 2,7,9,10,12,15 / tamborim: todas as faixas / pandeiro: 4,5,7 / caixa: 10,15
Léo Costinha= voz: 3,6,8,15 / surdo: todas as faixas / repique: 3,9 / agogô: 4,15 / prato e faca: 15
Lula Matos= voz: 4,6,7,15 / tantã: todas as faixas / pandeiro: 6,7,12 / reco-reco: 2,7,9,10,12,13,14 / repique de mão: 4,9,10,13 / frigideira: 10
Marcelo Correia= voz: 6 / violões: todas as faixas
Pablo Amaral= voz: 3,10,15 / cavaquinho: todas as faixas / apito: 10,15
Alexandre Caldi= sax soprano: 1,5,8,10,14 / flauta: 1,2,3,5,6,8,9,10,11,14 / sax tenor: 14
Dilmar Silva= congas: 7
Dirceu Leite= clarinete: 9,10
Fred Camacho= banjo: 3,11
Humbertinho= caixa e repique: 10,14,15
João Martins= banjo: 6,7
Jorge André= pandeiro: todas as faixas / repique de mão: 2,3,5,7,8,11,12,14 / repique de anel: 2,4,10,12,13,14,15 / congas: 6,7 / agogô: 7
Kiko Horta= acordeom: 6
Leandro Diaz= banjo: 12,13,15 / cavaco: 2,10
Luis Barcellos= bandolim: 13
Ovídio Brito= cuíca: 1,5,7,9,10,14,15
Roberto Marques= trombone: 5,7,8,9,12,14
Ubirany= repique de mão= 1,15 / caixinha: 5,8,9,14
Wanderson Martins= cavaco: todas as faixas
Nicolas Krassik= violino
Luciano Correa= violoncelo
Flávia Motta= viola / coro: todas as faixas
Analimar Ventapane= coro: todas as faixas
Rosane Duá= coro: todas as faixas
Márcia Tavares= coro: todas as faixas



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