Ao mestre com carinho (Noite Ilustrada)
Gravadora: Atração Fonográfica / Ano: 2003
Ouça o álbum completo abaixo, ou cada samba individualmente logo após a “capa do álbum.”

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Ai que saudade de Amélia
(Ataulfo Alves e Mário Lago)
Nunca vi fazer tanta exigência | Nem fazer o que você me faz | Você não sabe o que é consciência | Nem vê que eu sou um pobre rapaz || Você só pensa em luxo e riqueza | Tudo o que você vê, você quer | Ai, meu Deus, que saudade da Amélia | Aquilo sim é que era mulher || Às vezes passava fome ao meu lado | E achava bonito não ter o que comer | E quando me via contrariado | Dizia: “Meu filho, o que se há de fazer!” || Amélia não tinha a menor vaidade | Amélia é que era mulher de verdade
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Mulata assanhada
(Ataulfo Alves)
Ô mulata assanhada | Que passa com graça | Fazendo pirraça | Fingindo inocente | Tirando o sossêgo da gente || Ô mulata se eu pudesse | E se meu dinheiro desse | Eu te dava sem pensar | Esta terra, este céu, este mar | Ela finge que não sabe que tem feitiço no olhar || Ai meu Deus, que bom seria | Se voltasse a escravidão | Eu prendia essa mulata e guardava no meu coração | E depois a pretoria é que resolvia a questão
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Pois é
(Ataulfo Alves)
Pois é, falaram tanto que dessa vez | A morena foi embora | Disseram que ela era a maioral | E eu é quem não soube aproveitar | Endeusaram a morena tanto, tanto | Que ela resolveu me abandonar || A maldade nessa gente é uma arte | Tanto fizeram que houve a separação | Mulher a gente encontra em toda parte | Só não encontra a mulher que a gente tem no coração
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Na cadência do samba
(Ataulfo Alves e Paulo Gesta)
Sei que vou morrer, não sei o dia | Levarei saudade da Maria | Sei que vou morrer, não sei a hora | Levarei saudade da Aurora | Quero morrer numa batucada de bamba | Na cadência bonita do samba || O meu nome não se vai jogar na lama | Diz o dito popular | Morre o homem fica a fama | Quero morrer numa batucada de bamba | Na cadência bonita do samba
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Laranja madura
(Ataulfo Alves)
Você diz que me dá casa e comida | Boa vida e dinheiro pr’a gastar | O que é que há, minha gente o que é que há | Tanta bondade que me faz desconfiar || Laranja madura na beira da estrada | Tá bichada Zé ou tem marimbondo no pé || Santo que vê muita esmola na sua sacola | Desconfia, e não faz milagres não | Gosto de Maria Rosa e quem me dá prosa é Rosa Maria | Vejam só que confusão
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Sei que é covardia
(Ataulfo Alves)
Sei que é covardia um homem chorar | Por quem não lhe quer || Não me sai do pensamento | Não esqueço um só momento | Essa mulher | Eu quero tanto bem | E ela não me quer! || Outro amor | Não resolve a minha dor! | Só porque, o meu coração | Já não quer outra mulher
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Leva meu samba
(Ataulfo Alves)
Leva meu samba | Meu mensageiro | Este recado | Para o meu amor primeiro | Vai dizer que ela é | A razão dos meus ais | Não não posso mais || Eu que pensava, que podia lhe esquecer | Mas qual o que, aumentou o meu sofrer | Falou mais alto, no meu peito uma saudade | Mais para o caso não há força de vontade | Aquele samba foi pra ver se comovia o seu coração | Onde eu dizia vim buscar o meu perdão
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Talento não tem idade
(Ataulfo Alves)
Meus companheiros do samba | Do samba bem brasileiro | Ouçam o lamento de um triste | Que tem na alma um pandeiro | O samba foi lá em casa | E disse a mim soluçando | Tiraram tudo de belo que eu tinha | Pediu socorro chorando | Onde andarão os valores | Daqueles tempos de outrora | Seus lindos versos de amores | Que até hoje o povo chora || Voltem de novo que é grande a saudade | Talento não tem idade
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Errei… erramos
(Ataulfo Alves)
Eu na verdade | Indiretamente sou culpado | Da tua infelicidade | Mas se eu for condenado | A tua consciência será meu advogado | Mas evidentemente | Eu devia ser encarcerado | Nas grades do teu coração | Porque se sou um criminoso | És também nota bem | Que estás na mesma infração | Venho ao tribunal da minha consciência | Como réu confesso pedir clemência | O meu erro é bem humano | É um crime que não evitamos | Este princípio alguém jamais destrói | Errei… erramos
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Meus tempos de criança
(Ataulfo Alves)
Eu daria tudo que tivesse | Pr’a voltar ao tempo de criança | Eu não sei pr’a que a gente cresce | Se não sai da gente essa lembrança | Aos domingos missas na matriz | Da cidadezinha onde eu nasci | Ai meu Deus, eu era tão feliz | No meu pequenino Miraí | Que saudade da professorinha | Que me ensinou o bê-a-bá | Onde andará Mariazinha | Meu primeiro amor onde andará? | Eu igual a toda meninada | Quanta travessura eu fazia | Jogo de botões sobre a calçada | Eu era feliz e não sabia
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Lagoa serena
(Ataulfo Alves)
Meu perdão te darei outra vez | Outra vez, eu serei enganado | Teu amor tanto mal já me fez | Mas enquanto houver perdão | Não há pecado || És igual a lagoa serena | Na aparência e no fundo também | Sob as águas tranquilas que pena | Quanto lodo a lagoa contém
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Boêmio
(Ataulfo Alves e J.Pereira)
Boêmio | Nos cabarés da cidade | Buscas a felicidade | Na tua própria ilusão || Boêmio | A boêmia resume | No vinho, o amor, e o ciúme | Perfume, desilusão || Boêmio | Ó Sultão, porque é que queres | Amar, a tantas mulheres | Se tens um só coração? || Boêmio | Pensa na vida, um instante | E vê, que o amor inconstante | Só traz, por fim solidão || Boêmio | Que fica na rua | Em noite de lua | Tristonho a cantar | Na ilusão dos beijos viciosos | E dos carinhos pecaminosos || Boêmio | Tu vives sonhando | Com a felicidade | Mas não és feliz | Vive, boêmio, sorrindo e cantando | Mas o teu sofrer | O teu riso não diz…
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Infidelidade
(Ataulfo Alves)
Aquele que considera | O amor uma quimera | Vive longe de um sofrer | Tem sempre os olhos enxutos | Crer no amor de dez minutos | E nelas não deve crer | São falsas na maioria | E quando o homem confia | Em tudo que a mulher diz | Eis a traição consumada | Uma vida desgraçada | Um lar a mais infeliz || Gostei de uma criatura | Sem moral, sem compustura | Sem coração, sem pudor | Era o dono de um negocio | Sem saber que havia um sócio | Na firma do nosso amor | Felizmente ainda alega | Saber-se que toda regra | Tem sempre a sua excessão | Não julgo todas por uma | Pode ser que haja alguma | Com pudor e coração
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Fênix
(Aldo Cabral e Ataulfo Alves)
Você que é como eu sou nessa vida | Uma alma desiludida | Que não crê mais em amor | Você deve ouvir o que lhe digo | Busquemos um novo abrigo | Nas ruinas da nossa dor | Façamos de dois corações perdidos | De dois seres esquecidos | Um ideal triunfante | Há sonhos que nascem dos desafios | É nos cascalhos dos rios | Que a gente encontra o brilhante | Então lembremos fênix | Que era encantada | E que das cinzas do nada | Sempre ressurgiu depois | Por tanto das cinzas as desilusões | Que há em nossos corações | Rescucitemos nos dois | Escute-me são iguais nossas desditas | As nossas almas aflitas | No mesmo destino atroz || Por tanto mais um amor menos um | Não causam transtorno algum | A quem sofreu como nós
Intérprete(s)
Noite IlustradaCompositores:
Aldo Cabral, Ataulfo Alves, Mário LagoSem comentários »




