Xangô da Mangueira – Biografia
Sambas:
- Coração em festa (Padeirinho e Xangô da Mangueira) - Por: Velha Guarda da Mangueira
- Isso não são horas (Catoni e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Quando eu vim de Minas (Xangô da Mangueira) - Por: Velha Guarda da Mangueira
- Não adianta falar mal de mim (Waldomiro do Candomble e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Moro na roça (Jorge Zagaia e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Piso na barra da saia (Ruben Gerardi e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Não xinxa o boi (Nilo da Bahia e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- O pagode levanta poeira (Jorge Zagaia e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Se o pagode é partido (Geraldo Babão e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- E cantador (Baianinho e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Partido da ramandiola (Waldomiro do Candomble e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Velho Batuqueiro (Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- No tempo dos mil réis (Sidney da Conceição e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Cheguei no samba (Rubem Gerardi e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Catimbo (Waldomiro do Candomble e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Quem fala alto é gogó (Nílton Campolino e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Recordações de um batuqueiro (João Gomes e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Vim da Bahia (Sidney da Conceição e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Se tudo correr bem (Waldomiro do Candomble e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Dança do Caxambu (Jorge Zagaia e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Você não é não (Alcides Malandro Histórico e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Carolina meu bem (Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Louvação as grandes e aos pequenos (Waldomiro do Candomble e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Quilombo (Nílton Campolino e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Harmonia bonita (Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- O namoro de Maria (Aniceto da Mangueira e Xangô da Mangueira) - Por: Velha Guarda da Mangueira
- Vem rompendo o dia (Xangô da Mangueira) - Por: Velha Guarda da Mangueira
- Pau da Ibrauna (Walter da Imperatriz e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Amaralina (Waldomiro do Candomble e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
- Olha o partido (Rubem Gerardi e Xangô da Mangueira) - Por: Xangô da Mangueira
Discografia de Carreira
- Rei do partido - alto (1972)
- Velho batuqueiro (1975)
- Xangô da Mangueira Volume 3 (1978)
- Chão da Mangueira (1982)
Biografia
Olivério Ferreira, de nome artístico Xangô da Mangueira nascido na cidade do Rio de Janeiro em 19 de janeiro de 1923 , no bairro do Estácio, segundo alguns pesquisadores e no bairro do Rio Comprido, segundo outros.
Morando em Rocha Miranda, Xangô foi levado por amigos para trabalhar na fábrica de tecidos Nova América, no subúrbio de Del Castilho. ..."Naquela época, os garotos brincavam de apostar corrida com carrinhos de madeira. Os ingleses malandros logo viram que era melhor botar os garotos para trabalhar em vez dos velhos que não iam produzir tanto"... ele relembra. Xangô foi então trabalhar na máquina de rolo e logo ficou conhecido como o engraçadinho que botava apelidos em todo o mundo, Olhava para a cara do caboclo e dizia: ...Carranco! Jamelão! Chupeta!".... Mas o próprio Xangô não tinha um apelido e um novo empregado iria alterar este fato com uma provocação simples. Xangô avisou ao novato que ele iria ganhar um apelido, porque todos ali tinham um, e sem perder tempo decretou, ..."Você tem cara de macumba, você vai ser o Macumba"... O novato Macumba concordou, ..."Não tem nada, pode botar"..., mas acrescentou, ...""Qual é o seu apelido?".... Xangô apenas respondeu, ..."Eu não tenho apelido"..., ao que Macumba replicou de imediato, ..."Não tinha! Se eu sou o Macumba, você vai ser o Xangô!"....

Xangô da Mangueira iniciou-se no samba na escola de Samba União de Rocha Miranda. Da escola de Rocha Miranda, Xangô foi convidado para desfilar em uma ala da Portela. Xangô conta, com orgulho, a reação do mítico Paulo da Portela, à sua voz, ..."Poxa, menino, você tem uma voz boa, deve aproveitar isto"... Esta foi a deixa para que Xangô passasse alguns anos na tradicional escola de samba de Madureira, ..."improvisando com os grandes"..., como ele dizia. Tornou-se assim discípulo do célebre Paulo da Portela. Após a saída de Paulo da escola, no início da década de 1940, Xangô seguiu Paulo por um tempo na Lira do Amor, porém, como também admirava a Mangueira, pediu permissão a seu Mestre, sendo por ele indicado à diretoria Mangueirense, onde Paulo da Portela também possuía grandes amigos.
..."Mestre",... disse Xangô, ..."estou com a idéia de ir para uma escola que admiro. Eu quero ir para a Mangueira"... Paulo da Portela responderia, ..."Olha, a casa é sua lá porque eu tenho grande amizade, grande intimidade com o Cartola. Se você precisa de uma referência, eu estou aí para dar para você"...
Aos 16 anos ingressou na Estação Primeira de Mangueira, após ter passado em um teste de improvisador. O talento como improvisador levou-o a se identificar com o partido-alto, que se tornaria popular nos anos 70. ..."Eu achava bonito o partido alto"..., comenta Xangô, ..."quando os antigos formavam aquela roda e ficavam ali horas e horas cantando aqueles partidos e versando, os compadres com as comadres, uma coisa bonita mesmo"... A maestria adquirida no partido-alto lhe valeu o título que dá nome ao seu primeiro lp, "O Rei do Partido Alto" (1972), seu álbum preferido.

Na Mangueira, Xangô permaneceu pelo resto da vida, notabilizando-se como diretor de harmonia, cargo que ocupou por várias décadas. Xangô falava do dia-a-dia na quadra da Mangueira em mais de meio século de atividade na função, ..."Eu adaptava as pessoas novas que chegavam para que eles entendessem o espírito da coisa"... Xangô tornou-se conhecido pela paciência e cortesia. ..."Nunca xinguei uma pastora ou discuti com ninguém. Entro na quadra na hora em que o ensaio começa, e todos param de falar. Se tem alguma confusão, explico que todos têm que colaborar porque isto aqui é a diversão nossa. É a arena, o teatro da pessoa humilde"...
Foi também o intérprete oficial do samba da escola até 1951, sendo antecessor de Jamelão.Na década de 1970, gravou quatro LPs pela gravadora Tapecar e desenvolveu extensa atividade artística, apresentando-se como cantor em todo o Brasil e no exterior. Como compositor, teve diversas obras gravadas por cantores como Clara Nunes e Roberto Ribeiro. Influenciou também vários sambistas, dentre eles Martinho da Vila, cuja influência de Xangô é visível em vários sambas e calangos. Sua voz e jeito de cantar sempre foi muito associada a Clementina de Jesus.

Se houvesse uma história social do samba, feita a partir de quem o vivencia e aprecia, aprenderíamos que existem dois tipos de sambistas: os cultores e os estilistas. Os cultores são músicos, cantores e poetas de enorme capacidade criativa que aprimoram a arte de compor e cantar samba. Já os estilistas são aqueles que simplesmente criam sua própria forma, única e original, de samba. Existem cultores que são até mais famosos que os estilistas, mas são os últimos que mantém a chama da inovação e comprovam a riqueza rítmica e melódica do samba. Xangô da Mangueira é o maior dos estilistas do samba.
Faleceu nos primeiros dias do mês de janeiro aos 85 anos, no Hospital do Irajá, vítima de problemas cardíacos.. Em sua homenagem a Prefeitura da cidade deu nome a uma rua em frente à quadra da escola, Mangueira, a qual foi integrante da bateria por mais de 50 anos.
Um pouco mais sobre o "Samba de Partido-alto"
Edilson Carneiro diz que ..."partido-alto" é o samba cantado e dançado a moda antiga que consiste em um estribilho tradicional sobre o qual o cantador (partideiro) versa ou improvisa... Pela definição partido-alto "é um estilo de samba em que os participantes inventam os versos na hora em que estão cantando. É um gênero de cantoria e, por vezes, é também uma forma de desafio"
De acordo com a Enciclopédia da Música Brasileira, "samba de partido-alto é um gênero do samba surgido no início do século XX (1930)conciliando formas antigas (o partido-alto baiano, por exemplo) e modernas do samba-sança-batuque, desde os versos improvisados à tendência de estruturação em forma fixa de canção, e que era cultivado inicialmente apenas por velhos conhecedores dos segredos do samba-dança mais antigo, o que explica o próprio nome do partido-alto (equivalente da expressão moderna "alto-gabarito"). Inicialmente caracterizado por longas estrofes ou estâncias de seis e mais versos, apoiados em refrões curtos, o samba de partido-alto ressurge a partir da década de 1940, cultivado pelos moradores dos morros cariocas, mas já agora não incluindo necessariamente a roda de dança e reduzido à improvisação individual, pelos participantes, de quadras cantadas a intervalos de estribilhos geralmente conhecido de todos".
Referências:
http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Xang%F4+da+Mangueira
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Xang%C3%B4_da_Mangueira
http://www.samba-choro.com.br/artistas/xangodamangueira
http://www.cliquemusic.com.br/artistas/xango-da-mangueira.asp
Livro: Partido Alto - Samba de Bamba (Nei Lopes)
Intérprete(s)
Velha-Guarda da Mangueira, Xangô da MangueiraCompositores:
Alcides Lopes, Catoni, Geraldo Babão, Jorge Zagaia, Nilton Campolino, Padeirinho, Sidney da Conceição, Xangô da Mangueira6 comentários »
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