Carlos Cachaça – Biografia

 

Carlos Moreira de Castro (3 de agosto de 1902 — Rio de Janeiro), filho de funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, nasceu no morro da Mangueira, em uma das casas que a companhia alugava para seus funcionários. Seu pai, Carlos, abandonou a família. D. Inês, sua mãe, vendo-se em dificuldade para criar seus seis filhos menores, o entregou ao padrinho, o português Tomás Martins, dono de vários barracos no morro da Mangueira. Logo, o menino passou a fazer cobranças, lidar com recibos e anotações dos aluguéis, substituindo o padrinho analfabeto.

Paulinho da Viola, Aracy de Almeida, Carlos Cachaça, Albino Pinheiro, Cartola e Clementina de Jesus
Paulinho da Viola, Aracy de Almeida, Carlos Cachaça, Albino Pinheiro, Cartola e Clementina de Jesus

 

Sambas:

Ouças alguns dos principais sambas de autoria de Carlos Cachaça na "playlist" abaixo, ou cada samba individualmente no final do post, com suas respectivas letras.

  1. Juramento falso (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)
  2. Tempos idos (de Carlos cachaça e Cartola; por Cartola)
  3. Brasil, terra adorada (de Carlos Cachaça, Cartola e Arthur Faria; por Tantinho da Mangueira)
  4. Cabrocha (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)
  5. Todo amor (de Carlos Cachaça e Cartola; por Carlos Cachaça)
  6. Não quero mais amar a ninguém (de Carlos Cachaça, Cartola e Zé com fome; por Paulinho da Viola)
  7. Amor de carnaval (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)
  8. Não me deixaste ir ao samba (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça e Cartola)
  9. Ciência e arte (de Carlos Cachaça e Cartola; por Arranco de Varsóvia)
  10. Se algum dia (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça e Nelson Sargento)
  11. Vale do São Francisco (de Carlos Cachaça e Cartola; por Velha Guarda da Mangueira)
  12. Itinerário (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)
  13. Lacrimário (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)
  14. Quem me vê sorrindo (de Carlos Cachaça e Cartola; por Cartola)
  15. Silêncio de um cipreste (de Carlos Cachaça e Cartola; por Cartola)
  16. Vingança (de Carlos Cachaça; por Beth Carvalho)
  17. Alvorada (de Carlos Cachaça, Cartola e Hermínio Bello de Carvalho; por Clara Nunes)

 

Aos 16 anos, atuava como pandeirista no conjunto de Mano Elói (Elói Antero Dias). O pseudônimo "Cachaça" surgiu em uma das reuniões na casa do tenente Couto (do Corpo de Bombeiro), na qual estavam presentes três Carlos. Para diferenciá-lo, o anfitrião sugeriu "Cachaça", bebida preferida do compositor, na época com 17 anos.

Em 1922, conheceu Cartola, com quem mais tarde comporia diversos clássicos. Fundou, em 1925, juntamente com Cartola, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Saturnino Gonçalves, o Bloco dos Arengueiros, que mais tarde deu origem à Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, da qual também foi um dos fundadores, participando de todas as reuniões preliminares sem, contudo, comparecer à reunião de fundação por estar de serviço.

Carlos Cachaça e Babaú
Carlos Cachaça e Babaú

No ano de 1926, entrou para Estrada de Ferro Central do Brasil, galgando vários cargos, permanecendo até o ano de 1965, quando se aposentou como oficial de administração. Com sua primeira mulher, Maria Aída da Silva, teve três filhos: Luco, José Carlos e Marinês.

Casou-se com Menininha (Clotilde da Silva, falecida em 1983), irmã de Dona Zica, com a qual viveu durante 45 anos.

Foi presidente de honra da Mangueira e da Academia Brasileira da Cachaça, da qual constam apenas 40 membros acadêmicos. Em 1998, antes de falecer, fez seu último desfile pela Mangueira. Já debilitado em uma cadeira de rodas, presenciou a escola sagrar-se campeã com o enredo "Chico Buarque da Mangueira", desfilando ao lado do homenageado, que o beijou repetidas vezes.

Co-autor do livro "Fala, Mangueira", com Marília T. Barboza da Silva e Arthur L. Oliveira Filho em 1980, lançado pela Editora José Olympio. Autor de "Alvorada", livro de poemas e letras, publicado pela Funarte em 1989, organizado por Marília Trindade Barboza.

 

Dados Artísticos

 

Aos 20 anos, compôs a sua primeira música "Não me deixaste ir ao samba em Mangueira", gravada mais tarde pelo próprio autor com o nome "Não me deixaste ir ao samba". Algumas fontes afirmam que seu primeiro samba foi "Ingratidão", composto em 1923 aos 21 anos.

No ano de 1931, dois sambas de sua autoria fizeram parte da apresentação da escola: "Jardim da Mangueira" e "A floresta", ambos em parceria com Cartola. No ano seguinte, a escola classificou-se em primeiro lugar no desfile da Praça Onze, no dia sete de fevereiro. Neste desfile, a primeira música, "Pudesse meu ideal", feita em parceria com Cartola , sagrou a escola campeã naquele ano. No ano seguinte, em 1933, a Mangueira desfilou com outro samba de sua autoria: "Homenagem", que se tornou o primeiro samba-enredo a mencionar personagens da História do Brasil. Consta também que para o desfile daquele ano a escola providenciou alguns quadros (estandartes) com os rostos dos poetas citados no samba (Gonçalves Dias, Castro Alves e Olavo Bilac), dando origem, assim, ao que mais tarde se chamaria de "alas". Além disso, a Mangueira foi uma das primeiras a unir samba ao enredo, originando o samba-enredo.

Nelson Sargento e Carlos Cachaça
Nelson Sargento e Carlos Cachaça

Em 1936, Aracy de Almeida no álbum O sol nascerá gravou "Não quero mais" (Carlos Cachaça, Cartola e Zé com fome). Na etiqueta do disco o nome de Cartola não aparece, constando somente os de José Gonçalves (Zé com fome) e Carlos Moreira da Silva (Carlos Cachaça). Anos depois, o samba viria a ser gravado por vários artistas da MPB com o nome "Não quero mais amar a ninguém".

Em 1947, a Mangueira classificou-se em segundo lugar com o samba-enredo "Brasil, ciência e arte", em parceria com Cartola. No ano seguinte, foi a primeira escola a colocar som no desfile. Neste ano de 1948, a escola classificou-se em quarto lugar com o samba "Vale do São Francisco" (c/ Cartola).

No ano de 1968, juntamente com Clementina de Jesus, Odete Amaral, Cartola e Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça gravou pela Odeon o LP "Fala, Mangueira". Neste disco, foram incluídas de sua autoria: "Tempos idos" (c/ Cartola), "Alvorada" (c/ Cartola e Hermínio Bello de Carvalho), "Quem me vê sorrindo" (c/ Cartola), e "Lacrimário".

Em 1974, o selo Marcus Pereira lançou a série "História das Escolas de Samba: Mangueira". Neste disco, foram incluídas de sua autoria "Quem me vê sorrindo" e "Alvorada". Ainda neste disco, o próprio autor interpretou duas composições: "Vingança" e "Homenagem".

Bira da Mangueira e Carlos Cachaça
Bira da Mangueira e Carlos Cachaça

Em 1976, participou como convidado especial do LP de Clementina de Jesus. Neste disco, pela gravadora Odeon, foram incluídas de sua autoria "Não quero mais amar a ninguém", "Itinerário" e "Lacrimário". Neste mesmo ano, lançou pela gravadora Continental seu primeiro e único disco individual: "Carlos Cachaça", no qual registrou de sua autoria: "Todo amor" e "Quem me vê sorrindo", sambas em parceria com Cartola, e ainda "Clotilde", valsa dedicada à esposa Menininha, "As flores e os espinhos", "Se algum dia", "Não me deixaste ir ao samba", "Juramento falso", "Cabrocha" e "Harmonia em Mangueira", entre outras.

Em 1989 o produtor japonês Katsunori Tanaka, pelo selo Office Sambinha, lançou no Japão o disco "Mangueira chegou - Velha Guarda da Mangueira", no qual Carlos Cachaça, fazendo parte da Velha Guarda da Mangueira, interpretou "Ciência e arte" (c/ Cartola). No disco também foi incluída de sua autoria "Não quero mais amar a ninguém" (c/ Cartola e Zé com fome).

Em 1999, o Arquivo-Geral da Cidade do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Cultura produziram o CD duplo "Mangueira - sambas de terreiro e outros sambas", com músicas resgatadas de uma fita gravada ainda na década de 1960 na casa de Carlos Cachaça. Neste disco, o anfitrião aparece em várias faixas, cantando ao fundo ou fazendo coro. Ainda neste álbum duplo, Carlos Cachaça aparece ao lado de Hermínio Bello de Carvalho e Nelson Sargento interpretando "Lacrimário" e "Pátria querida", e ainda "Não me deixaste ir ao samba", e a música "Meu amor já foi embora" (Cartola e Zé Com Fome), conta com Cartola na voz e ao violão. No mesmo disco, foram incluídas outras composições de sua autoria: "Vale do São Francisco", "Tempos idos", interpretadas por Cartola e "Se algum dia", esta última cantada por Carlos Cachaça, todas gravadas na década de 1960.

 

Sambas-de-enredo (vencedores) compostos por Carlos Cachaça

 

  1. 1931 - Jardim da Mangueira (c/ Cartola)
  2. 1932 - A Floresta (c/ Cartola)
  3. 1933 - Homenagem
  4. 1935 - A pátria (c/ Cartola)
  5. 1936 - Não quero mais amar á ninguém (c/ Cartola e Zé com fome)
  6. 1938 - Lacrimário
  7. 1940 - Prantos, pretos e poetas
  8. 1947 - Brasil, ciẽncias e artes (c/ Cartola)
  9. 1948 - Vale do São Francisco (c/ Cartola)

 

Carlos Cachaça
Carlos Cachaça

Sambas e suas respectivas letras:

 

  1. Juramento falso

    (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)

    Jurar é mentir, jurar é fingir, jurar é pecado
    E eu posso afirmar porque me juraram um amor sagrado
    Depois que entreguei o meu coração, tão quente, na jura
    A mesma criatura jurou não ter jurado

    Não sei como pode ainda existir quem jura mentindo
    A chorar fingindo que o tal juramento que faz é sincero
    Jurar eu não quero mas se eu regesse as leis do senhor
    Condenava e matava quem faz e não cumpre as tais juras de amor

    Já me arrependo de ter condenado a quem me jurou
    E que depois chorou fingindo verter um pranto sentido
    Já tinha esquecido que a uma pessoa eu também jurei
    E foi mentira a jura, foi falsa e impura porque nunca amei

  2. Tempos idos

    (de Carlos cachaça e Cartola; por Cartola)

    Os tempos idos
    Nunca esquecidos
    Trazem saudades ao recordar
    É com tristezas que eu relembro
    Coisas remotas que não vêm mais
    Uma escola na Praça Onze
    Testemunha ocular
    E perto dela uma balança
    Onde os malandros iam sambar
    Depois, aos poucos, o nosso samba
    Sem sentirmos se aprimorou
    Pelos salões da sociedade
    Sem cerimônia ele entrou
    Já não pertence mais à Praça
    Já não é samba de terreiro
    Vitorioso ele partiu para o estrangeiro
    E muito bem representado
    Por inspiração de geniais artistas
    O nosso samba, humilde samba
    Foi de conquistas em conquistas
    Conseguiu penetrar no Municipal
    Depois de percorrer todo o universo
    Com a mesma roupagem que saiu daqui
    Exibiu-se para a duquesa de Kent no Itamaraty

  3. Brasil, terra adorada

    (de Carlos Cachaça, Cartola e Arthur Faria; por Tantinho da Mangueira)

    Brasil, terra adorada
    Jardim de todos estrangeiros
    És a estrela que mais brilha
    No espaço brasileiro
    Braço é braço

    Ó Brasil, és tão amado
    Teu povo é honrado
    Invejado no universo
    Nesta bandeira afamada
    Não falta mais nada
    Pede o escudo
    Ordem e progresso

    Houve já um curioso
    Que perguntou nervoso
    Brasil, onde vais parar?
    Eu respondo sempre a todos
    Com o mesmo orgulho
    Irei para um lindo futuro
    Brasil

  4. Cabrocha

    (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)

    Cabrocha, nunca foste rainha
    Nem nunca te inscreveram
    Em concurso de beleza como miss
    Mas do samba brasileiro
    Tens que ser a imperatriz
    Coroada no estrangeiro

  5. Todo amor

    (de Carlos Cachaça e Cartola; por Carlos Cachaça)

    Todo amor no princípio tem sabor,
    Tem perfume, tem odor, que embriaga o coração
    Mas depois é uma taça incolor
    Que só contém amargor, dessabor e maldição

    Todo amor princípia com beijos e risos
    E no princípio forma um paraíso
    E depois com o tempo
    Um dos dois vem a se arrepender,
    Um amor para gozar e outro para sofrer

  6. Não quero mais amar a ninguém

    (de Carlos Cachaça, Cartola e Zé com fome; por Paulinho da Viola)

    Não quero mais amar a ninguém
    Não fui feliz, o destino não quiz o meu primeiro amor
    Morreu como a flor ainda em botão
    Deixando espinhos que dilaceram meu coração

    Semente de amor sei que sou desde nascença
    Mas sem ter vida e fulgor, eis minha sentença
    Tentei pela primeira vez um sonho vibrar
    Foi beijo que nasceu e morreu sem se chegar a dar

    As vezes dou gargalhada ao lembrar do passado
    Nunca pensei em amor, nunca amei nem fui amado
    Se julgas que estou mentindo, jurar sou capaz
    Foi simples sonho que passou e nada mais

  7. Amor de carnaval

    (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)

    O amor que nasce no carnaval
    Não faz mal a ninguém
    É alimentado com sorrisos
    Barulhos de guizos
    E valor não tem
    Passo estes três dias infernais
    Desaparecem as fantasias
    E também desaparece
    Aquele amor
    Que nasceu nos três dias
    E depois só se conhece
    Por acaso quem chamou
    Pelos cantares brejeiros
    Dançares maneiros
    Que nos ensinou

  8. Não me deixaste ir ao samba

    (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça e Cartola)

    Não me deixaste ir ao samba em Mangueira
    E tu saiste pra brincar no candomblé
    Agora espero que tu me mandes embora
    Amor tão rude
    Meu coração não faz fé

    Eu não te deixo ir ao samba em Mangueira
    Principalmente lá na casa do Arthurzinho
    Eu tenho medo que você fique por lá
    Porque a tropa toda sabe brincar direitinho

  9. Ciência e arte

    (de Carlos Cachaça e Cartola; por Arranco de Varsóvia)

    Tu és meu Brasil em toda parte
    Quer na ciência ou na arte
    Portentoso e altaneiro
    Os homens que escreveram tua história
    Conquistaram tuas glórias
    Epopéias triunfais
    Quero neste pobre enredo
    Revivê-los, glorificando os homens teus
    Levá-los ao panteon dos grandes imortais
    Pois merecem muito mais

    Não querendo levá-lo ao cume da altura
    Cientistas tu tens e tens cultura
    E de rude poema destes pobres vates
    Há sábios como Pedro Américo e César Lates

  10. Se algum dia

    (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça e Nelson Sargento)

    Se algum dia eu souber que você vai deixar
    Meu coração, que é todo seu, em busca de outro amor
    Não serei mais feliz
    Porque você não quis
    Depois serei, como fui seu,
    Da minha dor

    Se a dor depois, por ingratidão, também me deixar
    Eu hei de chorar, com muita razão, por não ser feliz
    E hei de dizer a quem perguntar: prefiro morrer
    Do que serve viver
    Se a dor que sofria também não me quis

    Se me perguntarem a causa da dor e dos meus queixumes
    Eu terei ciúmes
    Não responderei, sentindo depois
    E mesmo sofrendo a causa da dor
    Guardarei comigo, em meu peito amigo
    E pode voltar a paz entre nós dois

  11. Vale do São Francisco

    (de Carlos Cachaça e Cartola; por Velha Guarda da Mangueira)

    Não há neste mundo um cenário
    Tão rico, tão vário
    E com tanto esplendor
    Nos montes
    Onde jorram fontes
    Que quadro sublime
    De um santo pintor
    Pergunta o poeta esquecido
    Quem fez esta tela
    De riquezas mil
    Responde soberbo o campestre
    Foi Deus, foi o mestre
    Quem fez meu Brasil!
    Meu Brasil! O meu Brasil!

    E se vires poeta o Vale
    O vale do rio....
    Em noite invernosa
    Em noite de estio
    Como um chão de prata
    Riquezas estranhas
    Espraiando beleza
    Por entre montanhas
    Que ficam e que passam
    Em terras tão boas
    Pernambuco, Sergipe
    Majestosa Alagoas
    E a Bahia lendária
    Das mil catedrais
    Terra do ouro
    Berço de Tiradentes
    Que é Minas Gerais

  12. Itinerário

    (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)

    Eu não sei o itinerário para o meu calvário
    Que o destino me conduz
    Vou subindo vacilante
    Mas se for distante deixarei a minha cruz
    Pois só vejo nos caminhos onde passo
    espinhos para me ferir
    Sei que é covardia quando a dor crucia
    Não há quem possa resistir
    E sofro tanto tanto
    Mas sinto no entretanto
    A vida não querer chegar ao fim
    Parece que os males todos desse mundo
    Foram feitos só pra mim

    E vivo triste, triste
    É porque já não existe
    Pra mim uma palavra de perdão
    Pedi o lenitivo a quem podia dar-me
    Sorriu me
    Respondeu que não

  13. Lacrimário

    (de Carlos Cachaça; por Carlos Cachaça)

    Tenho um lacrimário extraordinário, lindo relicário
    Que um dia fiz do meu sofrer
    Fiz de agonia, fiz de nostalgia
    Parte de um romance, sem acabar o meu viver

    Quando às vezes quero lembrar sorrindo a minha dor
    Abro o relicário onde guardei tudo que sofri
    E para reler as promessas feitas de um beijo
    triste, chorando, revejo o romance que escrevi

    Guardo quase tudo que se refere ao meu sofrer
    São páginas que leio sintetizando a minha dor
    E todo o passado dolente, hoje revive
    Não guardei porque não tive saudade do falso amor

  14. Quem me vê sorrindo

    (de Carlos Cachaça e Cartola; por Cartola)

    Quem me vê sorrindo
    Pensa que estou alegre
    O meu sorriso
    É por consolação
    Porque sei conter
    Para ninguêm ver
    O pranto do meu coração

    Pranto que eu perdi por este amor talvez
    Não compreendestes
    Se eu disser, não crês
    Depois de derramado
    Ainda soluçando
    Tornei-me alegre
    Estou cantando

    Compreendi o erro
    Em toda a humanidade
    Uns choram por prazer
    E outros com saudades
    Jurei e a minha jura
    Jamais eu quebrarei
    E todo o pranto esconderei

  15. Silêncio de um cipreste

    (de Carlos Cachaça e Cartola; por Cartola)

    Todo mundo tem o direito
    De viver cantando
    O meu único defeito
    É viver pensando
    Em que não realizei
    E é difícil realizar
    Se eu pudesse dar um jeito
    Mudaria o meu pensar

    O pensamento é uma folha desprendida
    Do galho de nossas vidas
    Que o vento leva e conduz
    É uma luz vacilante e cega
    É o silêncio do cipreste
    Escoltado pela cruz

  16. Vingança

    (de Carlos Cachaça; por Beth Carvalho)

    Não quero me vingar porque
    Vingança é sinal de covardia
    Tenho a faca e tenho o queijo em minhas mãos
    Se eu quisesse me vingar de ti podia

    Me lembro que chorei e tu sorriste
    Da minha desventura antigamente
    E hoje és tu quem choras
    Não me vês sorrir
    Lamento o teu sofrer profundamente

    Eu sei que já tiveste mil vontades
    De me pedir perdão covardemente
    Não te desejo mal
    Mas não te quero bem
    Meu coração agora é diferente

  17. Alvorada

    (de Carlos Cachaça, Cartola e Hermínio Bello de Carvalho; por Clara Nunes)

    Alvorada lá no morro, que beleza
    Ninguém chora, não há tristezas
    Ninguém sente dissabor
    O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo
    E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo

    Você também me lembra a alvorada
    Quando chega iluminando meus caminhos tão sem vida
    E o que me resta é bem pouco
    Ou quase nada, do que ir assim, vagando
    Numa estrada perdida

Pesquisa: Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira



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8 Comentários para o post “Carlos Cachaça – Biografia”

 

 

  1. cassio pagode disse:

    as letra de carlos cachaça toca no coraçao...

  2. Irivan Almeida disse:

    O que mais mim admira nestas músicas são as letras das mesmas que relata seus dissabores, suas desilusões de maneira mais românticas possível. São estas formas vividas que mim faz ter querido vivido nesta época, é como se eu tivesse saudades. Maravilha, lindo, muito lindo.

  3. Ivandro Gouveia disse:

    Maravilha,maravilha e maravilha...........

  4. edson. disse:

    samba não se comenta, se entrega á leveza da letra do verdadeiro prazer de si ouvir; que hoje tem poucos á ter gosto d musica verdadeira de boa qualidade....

  5. Marcos disse:

    Salve Carlos cachaça, salve a mangueira!!!

  6. Mourinha disse:

    O que eu acabei de ver foi um tesouro como poesia obrido sr.Deus poreste pota ter existido.Lenda

  7. Luiz Henrique disse:

    Achei otímo ter estas biografias pq gosto do samba e sabia pouco destas pessoas que introduziram a musica brasileira

  8. Alexandre Soares disse:

    MANGUEIRA MINHA MANGUEIRA QUERIDA DE CARLOS CACHAÇA QUE SEUS SAMBAS NUNCA MORRAM!!!!!

 

 

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